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Ceará é o segundo estado que mais registra mortes da população LGBTQIAPN+

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O Ceará é o segundo estado do Brasil com o maior número de mortes violentas contra a população LGBTQIAPN+. Os números foram divulgados nesta semana pelo Observatório de Mortes e Violências LGBTI+ no Brasil. Em 2023, a cada 38 horas uma pessoa da comunidade foi vitimada no Brasil, consolidando o País como o mais homotransfóbico do mundo. Ao todo, foram registradas 230 mortes violentas contra pessoas LGBTQIAPN+.

Das vítimas, 184 foram assassinadas, 18 cometeram suicídio e 28 morreram por outras causas. De acordo com o que foi coletado, a morte de travestis e transgêneros ultrapassaram, em número absoluto, a dos gays. Do total de mortes registrados, 155 se referiam a pessoas transsexuais, em especial as mulheres trans e travestis, 59 eram gays e 7 foram identificadas como lésbicas. O maior número de vítimas foi registrado em São Paulo (27), seguido por Ceará e Rio de Janeiro, com 24 mortes registradas.

Para chegar aos números, o Observatório desenvolveu uma metodologia própria ao longo dos anos, por meio do cruzamento de informações com registros oficiais dos crimes junto às secretarias de Segurança Pública dos estados, através de mecanismos como a Lei de Acesso à Informação. Ainda há uma coleta de informações em veículos de comunicação e redes sociais, levando em consideração a provável subnotificação dos casos às autoridades e a ausência de dados oficiais com esse recorte específico.

“Como dependemos do reconhecimento da identidade de gênero e da orientação sexual das vítimas por parte dos veículos de comunicação que reportam as mortes, é possível que muitos casos de violências praticadas contra pessoas LGBTI+ sejam omitidos”, explica a entidade, em nota.

Acerca das localidades, a organização aponta que muitas cidades não têm veículos de comunicação locais que reportem casos ocorridos, impossibilitando uma visão ainda mais ampla sobre as mortes violentas. Entre os crimes mais frequentes, estão o esfaqueamento, apedrejamento, asfixia, esquartejamento, negativas de fornecimento de serviços e tentativas de homicídio.

Em 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) criminalizou a homofobia, mas o Brasil continua a ser o país com mais mortes violentas de LGBTI+ no mundo, de acordo com o observatório. A sigla LGBTQIAPN+ diz respeito a pessoas lésbicas, gays, bissexuais, travestis, mulheres e homens trans, pessoas transmasculinas, não binárias e demais dissidências sexuais e de gênero.

O OPINIÃO CE entrou em contato com a Secretaria da Diversidade do Ceará e com a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), e aguarda retorno.