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Mulheres têm mais chance de desenvolver síndrome do olho seco, revela oftalmologista cearense

Foto: Natinho Rodrigues

Relacionada à diminuição ou alteração da produção da qualidade da lágrima, a doença do olho seco vem sendo mundialmente discutida. Os problemas gerados pela síndrome são observados com facilidade pelos pacientes, entre eles estão a dificuldade de sair na luz e a irritação ocular. No Brasil, há uma piora da doença quando o clima fica mais seco e o ar mais poluído. Inicialmente, o tratamento é feito com lubrificantes ou colírios, mas em alguns casos é necessário procedimentos cirúrgicos.

Edison Costa, oftalmologista com mais de 30 anos de experiência, conversou com o OPINIÃO CE sobre a doença do olho seco. O especialista, que é um dos pioneiros na cirurgia de catarata em Fortaleza, falou sobre a prevenção, identificação e os casos mais comuns da síndrome no Brasil.

OPINIÃO CE – Doutor Edison, o que é a doença do olho seco?

EDISON COSTA – É o paciente que tem uma qualidade de lágrima não compatível com a boa qualidade de visão. Os pacientes têm desconforto visual com a leitura, principalmente, aqueles com mais idade. A síndrome é mais comum em mulheres que usam computadores e aparelhos telefônicos. A lágrima não é só água, ela tem cerca de 60 componentes.

OPINIÃO CE – Como que faz a prevenção ou o tratamento?

EDISON COSTA – Hoje há cerca de 8 mil pesquisadores no mundo sobre essa doença. Não se sabe com certeza o que é o olho seco. É uma síndrome desafiante, os pacientes fazem maratona nos consultórios médicos tentando encontrar uma cura. É um conjunto de histórias que os pacientes traziam no consultório, como baixo rendimento no trabalho, irritabilidade e sensação de corpo estranho nos olhos. O olho seco não tem cura.

Foto: Natinho Rodrigues

OPINIÃO CE – O profissional de saúde, como o senhor, tem facilidade em fazer o diagnóstico ou há uma complexidade?

EDISON COSTA – Existe um procedimento que eu faço no meu consultório. Nós utilizamos corantes que vão dizer, pelo aspecto topográfico, se tem alterações no epitélio da córnea. O diagnóstico é dado desta maneira. A lâmpada de fenda e microscópio utilizado rotineiramente nos consultórios não consegue dar esse diagnóstico com precisão.

OPINIÃO CE – A síndrome do olho seco pode alcançar qualquer pessoa?

EDISON COSTA – Ninguém escapa. Não se sabe a causa, não tem etimologia clara e não se sabe quem vai ter ou não. Os pacientes que fazem cirurgia na córnea, quase 100% sofrem com a síndrome. Nos casos de catarata, se os pacientes já sofrerem com o olho seco, piora ainda mais. São muitos fatores. Atualmente, a indústria farmacêutica é a que ganha mais dinheiro com a descoberta e venda de medicamentos para o olho seco. Todos os medicamentos são paliativos, não existe curativo. Os pacientes não são curados, eles são tratados.

Foto: Natinho Rodrigues

OPINIÃO CE – Existe um percentual dessa doença na população?

EDISON COSTA – O percentual é muito alto, principalmente, em mulheres, e não se correlaciona com a parte hormonal. Além disso, o olho seco é mais comum em pessoas que moram na praia e que dormem com ventilador ou ar condicionado. Esses pacientes são todos suscetíveis à síndrome do olho seco. É um desconforto muito grande e geralmente levam a vida inteira. Ao todo, cerca de 80% das mulheres na menopausa possuem a doença.

OPINIÃO CE – O que se discute muito é a falta de acesso da população à oftalmologia. Você acredita que o Brasil precisa investir nessa questão?

EDISON COSTA – Precisa bastante. Precisa baratear os medicamentos para os pacientes que possuem a síndrome do olho seco, de preferência os colírios. Essa doença é da história da humanidade. A função do médico não é curar, é aliviar sempre. O médico tem obrigação de aliviar o desconforto. Nos consultórios, muitas pessoas não aceitam o diagnóstico do olho seco.