A prévia do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) apontou deflação de -0.02% em abril, na Região Metropolitana de Fortaleza, 0,50 ponto percentual (p.p.) menor que a de março, quando variou 0,48%. Sendo a maior retração do País em relação às outras capitais, o resultado foi influenciado pelo grupo Transportes, que apresentou queda (-1,59%), com impacto de -0,31 p.p no índice geral. O Índice foi divulgado nesta sexta-feira (26) pelo IBGE.
O destaque do grupo Transportes (-1,59%) foi por conta da queda na passagem aérea (-17,10%). Em relação aos combustíveis (-4,61%), observaram-se declínios nos preços do gás veicular (-1,85%), o óleo diesel (-2,19%) e a gasolina (-4,80%). A pesquisa também captou deflação nas tarifas de transporte público (-2,49%). Quanto aos índices regionais, nove áreas tiveram alta em abril. A maior variação foi registrada em Recife (0,57%), por conta das altas do tomate (27,79%) e da gasolina (5,13%). Já o menor resultado ocorreu em Fortaleza (-0,02%).
Para o economista e professor universitário Ricardo Coimbra, o resultado é positivo e envolve a queda também dos combustíveis e do crescimento dos alimentos.
“Esses fatores que vinham pressionando a inflação nos ciclos anteriores vieram bem abaixo, gerando uma perspectiva de atingimento até da meta de inflação para o ano. O reflexo disso para o mercado financeiro é positivo porque dá um direcionamento para que o Banco Central possa dar continuidade à sua política de redução de juros. Provavelmente o índice cheio do IPCA deve vir no mesmo direcionamento do IPCA-15. É um controle inflacionário positivo e é provável fecharmos o ano com índice da inflação entre 3 e 3,5%.”
Nos últimos 12 meses, a variação do IPCA-15 foi de 4,31%, abaixo dos 4,82% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em abril de 2023, o IPCA-15 foi de 0,48% na RMF. Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, três grupos registraram quedas em abril. Seis grupos apontaram altas nos preços. O maior impacto (0,16 p.p.) veio de Alimentação e bebidas (0,65%), seguido de Saúde e cuidados pessoais (0,89% e 0,12 p.p.). As demais variações positivas ficaram entre o 0,02% de Educação e o 0,41% de Artigos de residência.
Nacionalmente, a prévia da inflação ficou em 0,21% em abril. O resultado foi influenciado pelo grupo de Alimentação e Bebidas, com alta de 0,61%. Já o grupo Transportes foi o único a apresentar queda (-0,49%). Nos últimos 12 meses, a variação do IPCA-15 foi de 3,77%, abaixo dos 4,14% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em abril de 2023, o índice ficou em 0,57%.
COMO FUNCIONA O CÁLCULO
Para o cálculo do IPCA-15, os preços foram coletados no período de 15 de março a 15 de abril de 2024 (referência) e comparados com aqueles vigentes de 16 de fevereiro a 14 de março de 2024 (base). O indicador refere-se às famílias com rendimento de 1 a 40 salários-mínimos e abrange as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e do município de Goiânia. A metodologia utilizada é a mesma do IPCA, a diferença está no período de coleta dos preços e na abrangência geográfica.
ITENS MAIS BARATOS
- Passagem aérea: -17,1%
- Batata-inglesa: -11,39%
- Gasolina: -4,8%
- Acém: -4,63%
- Patinho: -4,32%
ITENS MAIS CAROS
- Tomate: 52,83%
- Cebola: 17,4%
- Maracujá: 16,81%
- Tubérculos, raízes e legumes: 14,49%
- Cinema, teatro e concertos: 6,67%
