O ex-proprietário do flat adquirido pela deputada federal cearense Dayany Bittencourt (União Brasil) admitiu ter instalado câmeras escondidas em três cômodos da residência. Em inquérito aberto pela Polícia Federal (PF), o ex-dono do imóvel afirmou que eram quatro câmeras e um microfone dentro de sensores de fumaça e disparadores de água na sala, no quarto e no banheiro. As informações são do jornal O Globo. Neste mês de abril, a deputada divulgou que encontrou os aparelhos em 28 de agosto de 2023 e que, à época, denunciou o caso à Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).
O ex-proprietário do imóvel, ao admitir a instalação das câmeras, afirmou que elas foram utilizadas para gravar uma camareira que estaria “subtraindo alguns objetos”. Ele disse ter esquecido de contar à Dayany sobre o sistema de vigilância. Em depoimento, no entanto, ele negou que tenha aprendido a acessar as câmeras, dizendo que elas “não cumpriram sua finalidade”. Também em depoimento à PF, o profissional contratado para instalar os equipamentos contou ter chamado a atenção a instalação de uma das câmeras no banheiro.
Conforme perícia realizada pelo Instituto de Criminalística da Polícia Civil, 164.325 registros audiovisuais foram extraídos dos aparelhos, com tamanho total de 349 GB. Segundo laudo, entre os dias 21 e 28 de agosto de 2023, o período em que a deputada residiu no flat, nenhuma imagem dela foi capturada, mesmo com as câmeras “em pleno funcionamento”.
De acordo com ela, ela leva consigo a “sensação de vulnerabilidade e exposição”, devido ao medo de ter tido imagens capturadas pelas câmeras. “A vergonha e o medo me acompanham constantemente e o pior é não saber até que ponto a minha vida e intimidade foram registradas”, disse.
“Compreendo que não estou sozinho nessa luta. Há inúmeras outras pessoas que compartilham desse mesmo sentimento de insegurança e vulnerabilidade. É por isso que a investigação e o esclarecimento de casos como este são de suma importância”, completou.
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ENTENDA O CASO
Dayany alugou o imóvel em agosto de 2023. No dia 28, assessores da deputada teriam notado algo estranho em um sensor de incêndio na sala do flat. Ao analisarem, verificaram a presença de uma câmera escondida. A parlamentar, então, registrou Boletim de Ocorrência.
A partir de então, foi realizada uma varredura no flat pela assessoria parlamentar, que descobriu outras câmaras, um microfone e um aparelho DVR no alçapão da cozinha, ligado a fiação do apartamento e uma espécie de transmissor. Aos investigadores, à época, a parlamentar disse suspeitar de uma ação que poderia estar relacionada à sua atividade política ou ao do seu marido, o ex-deputado federal e pré-candidato à Prefeitura de Fortaleza, Capitão Wagner (União Brasil).
