Faltando oito dias para o fim do terceiro mês da quadra chuvosa de 2024 (fevereiro a maio), o Ceará já supera a média história de chuvas para o período. Conforme dados parciais da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) consultados pelo OPINIÃO CE nesta segunda-feira (22), foi observada uma média de 195.8 mm em todo o território cearense em abril. Levando em consideração a precipitação média histórica, de 190.7 mm para o intervalo, o desvio positivo é de 2.7%.
Conforme a Funceme, o maior desvio positivo no período se deu no Cariri (42.4%). Nos 22 dias de abril, foram observados 254.6 mm, sendo a normal histórica, para o intervalo, 178.8 mm. O Litoral de Fortaleza, por sua vez, apresentou média pluviométrica de 223.8 mm (sendo 272.3 mm o normal observado, um desvio negativo de -17.8%).
As chuvas, conforme a Funceme, tendem a continuar ocorrendo nos próximos dias em algumas regiões. Entre domingo e esta segunda-feira (22), choveu em cerca de 125 municípios, com destaque para Massapê (58.4 mm), Granja (53.6 mm), Iguatu (46 mm) e Jucás (42 mm).
A previsão para o início desta semana é de sol com nebulosidade variável e eventos de chuvas isoladas em todas as macrorregiões do Estado. Entre esta segunda (22) e quarta-feira (24), os volumes de precipitação mais expressivos devem ocorrer no centro-norte do Ceará. As chuvas no Estado são resultado das áreas de instabilidade provenientes do Oceano Atlântico, bem como dos efeitos da brisa (terrestre e marítima) e da combinação de temperatura, umidade e relevo. A Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), principal sistema indutor de chuvas durante a quadra chuvosa no Estado, encontra-se em torno da Linha do Equador.
PREVISÃO
- Segunda-feira (22): Céu variando de nublado a poucas nuvens com chuva isolada em todas as macrorregiões.
- Terça-feira (23): Céu variando de nublado a poucas nuvens com chuva isolada em todas as macrorregiões.
- Quarta-feira (24): Céu variando de parcialmente nublado a poucas nuvens com chuva isolada em todas as macrorregiões.
Em relação às temperaturas, são esperadas máximas de até 34ºC em alguns municípios do sul da Jaguaribana e do Cariri, enquanto nas demais regiões as máximas devem variar entre 30°C a 33ºC. Na Capital, são esperadas temperaturas máximas em torno de 32 ºC e mínimas de até 24ºC.
TRIMESTRE
O Ceará apresenta 70% de chances de chuvas na média (40%) ou acima da média (30%) histórica para o trimestre de abril, maio e junho, conforme prognóstico da Funceme divulgado no início deste mês. De acordo com a análise, as condições de El Niño no Pacífico Equatorial ainda têm padrão de anomalias positivas, “porém com menores magnitudes em relação aos meses anteriores, mas ainda assim, indicando a atuação do fenômeno”. Além disso, há 30% de probabilidade para a categoria abaixo da normal no Ceará.
“A média do acumulado para o trimestre em questão já é abaixo do observado em outros períodos do ano. Em abril, de 190 mm; em maio, de 90 mm; e em junho, de 37 mm, quando se trata do Ceará como um todo. Observando, ainda, que chuvas normais neste período devem levar em consideração essa variabilidade”, explica Meiry Sakamoto, meteorologista da Funceme. “Outra questão importante desse prognóstico é essa irregularidade na distribuição das chuvas no tempo e no espaço, como já foi apontado desde janeiro para as condições de chuvas para abril e maio, principalmente”, finaliza.
RESERVATÓRIOS
As boas chuvas refletem na situação ds reservatórios monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh). Nesta segunda-feira (22), o volume total acumulado no Estado chegou a 54% da capacidade total, com 69 açudes sangrando simultaneamente. A quantidade é próxima à registrada em 2023, quando 71 açudes sangraram. “Temos até o final de maio para encerrar a quadra chuvosa. Atingiremos bons números, o que vai garantir cada vez mais segurança hídrica ao povo cearense”, explica Tércio Tavares, diretor de Operações.
As regiões do Acaraú, Coreaú, Litoral, Metropolitana, Serra da Ibiapaba, Salgado e Baixo Jaguaribe estão em situação “muito confortável”, com volumes acima de 70%, com destaque para o Baixo Jaguaribe e Litoral que registram 100% de seu armazenamento. A região do Curu recebeu uma recuperação significativa. No início deste ano, antes do início da quadra chuvosa, a bacia estava com 26% da capacidade total. Hoje se encontra com 66% de reservas hídricas acumuladas, numa situação confortável.
Apesar desses avanços, a realidade na bacia hidrográfica dos Sertões de Crateús contrasta com menos de 25% de sua capacidade hídrica acumulada. Outros 24 reservatórios do Ceará apresentam volumes abaixo de 30% de sua capacidade, “destacando os desafios persistentes impostos pelo clima semiárido da região, com chuvas distribuídas de forma irregular no tempo e espaço”, conforme destacou Tércio Tavares.
