Depois da Avenida Paulista, o local da vez foi Copacabana. Eles vão fazer coisa parecida por todo o País? Seguidores do bolsonarismo marcaram presença em ato no Rio de Janeiro, no dia de Tiradentes. Dois trios elétricos para autoridades parlamentares. Como sempre, como bons patriotas e cidadãos de bem, começaram cantando o hino nacional. Em seguida, colocando em prática o “primeiro as damas” e seguindo a mesma ordem da manifestação paulista, a eterna primeira-dama fez o seu pronunciamento. Ela orou piedosamente de forma espontânea e rezou junto com seus fiéis o pai nosso. Amém, igreja?
Eles chamam o ex-presidente de eterno presidente e a primeira-dama recebe o mesmo título. Mas são eternos em que sentido? Falam como um saudosismo, ou falam eternos porque eles deveriam ocupar tais cargos eternamente?
Depois, deputados federais tiveram a palavra. Fizeram discursos eloquentes, enfatizando que lutam pela liberdade de expressão, ou pelo menos, cravam batalha pelo que imaginam ser essa liberdade. De parte de discurso em inglês (para o mundo inteiro ouvir) ao clamor de que o Brasil precisa de homens com testosterona, foram falas bem variadas, que mostram a riqueza e o domínio da última flor do Lácio.
Na sequência, houve mais falatório em defesa própria do bolsonarismo. Na cabeça deles, vivemos sob uma ditadura em que há cerceamento de liberdades, censura, perseguição. Mas no mundo real, onde há isso? Por que eles acham que o Estado democrático de direito está em perigo? Quando eles são o alvo da justiça, de investigações, de ações policiais, aí querem fazer parecer que todo o sistema democrático corre risco de extinção.
O ex-presidente foi anunciado como eleito, escolhido, levantado por Deus para a nação neste momento histórico. Como ficam os que acreditam em Deus, pelo menos no mesmo Deus cristão, mas não são apoiadores do escolhido? Ele se disse incumbido da missão de ter governado o País por quatro anos. Na verdade, o cenário político e os votos de milhões de brasileiros foram o que o colocaram na cadeira presidencial. Disse que o sistema não gostou de seu governo e agora trabalha contra a liberdade de expressão. Falou em defesa de Elon Musk e pediu uma salva de palmas para o bilionário, que, segundo declaração, com o X (ex-twitter) batalha pela liberdade.
Muito mais foi falado. Apesar do pedido de que não levassem faixas (como é costume da turma), duas senhoras foram flagradas com cartazes pedindo “intervenção militar já!”. Os vídeos estão aí pela internet. Eventos do tipo vão continuar acontecendo? Onde será o próximo?
