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Conselho de direitos humanos aciona ONU após crescimento de movimento neonazista no Brasil

Foto: Claudio Kbene/PR

O Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), órgão ligado ao Ministério dos Direitos Humanos, do ministro Silvio Almeida, apresentou à Organização das Nações Unidas (ONU) um documento que aponta preocupações acerca do crescimento de grupos neonazistas no Brasil ao longo dos últimos anos. O relatório preliminar, entregue no último sábado (6), classifica o cenário atual brasileiro como “alarmante” e reúne dados presentes em diferentes levantamentos.

No documento enviado à ONU, é destacado que, só em 2021, foram recebidas e processadas 14.476 denúncias anônimas pela Central Nacional de Crimes Cibernéticos contra esses grupos criminosos. Além disso, o relatório apresenta casos em que foram apreendidos artefatos ligados ao nazismo como fardas, armas e bandeiras, bem como artigos e peças decorativas com imagens e símbolos como rosto de Hitler e a suástica. Em dezembro de 2022, por exemplo, um estudante de 16 anos matou quatro pessoas em escolas em Aracruz, no Espírito Santo, e vestia uma farda militar acompanhada de uma braçadeira com um símbolo nazista.

Uma das referências utilizadas para a construção do documento é a pesquisa da antropóloga Adriana Dias, apelidada de “caçadora de nazistas”. Segundo Adriana, as células de grupos neonazistas cresceram 270,6% no Brasil no período entre janeiro de 2019 e maio de 2021, se espalhando por todas as regiões do País. O fenômeno teria sido impulsionado pela disseminação dos discursos de ódio e de narrativas extremistas. De acordo com a pesquisa, no início de 2022, haviam mais de 530 núcleos extremistas no Brasil. Seus participantes compartilham o ódio contra feministas, judeus, negros e população LGBTQIAPN+.

O relatório será apresentado e discutido na 55ª Reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU, que deverá ocorrer em Genebra, na Suíça, entre o final de junho e o início de julho deste ano. Durante o encontro, uma nova edição do relatório sobre os esforços mundiais para o combate à glorificação do nazismo e do neonazismo será apresentado pela indiana Ashwini K.P., relatora especial sobre as formas contemporâneas de racismo, discriminação racial, xenofobia e intolerâncias conexas.