Pesquisa recente feita pela Atlas Intel revelou que 47,3% dos entrevistados acredita que o país vive numa ditadura do judiciário. Essa pesquisa foi realizada quando a notícia de que Bolsonaro era alvo de operação da PF se espalhou. De um quantitativo de 1615 pessoas, 20,9% acreditam que o poder judiciário cumpre seu papel corretamente.
Mas o que seria uma ditadura do judiciário? Um juiz todo poderoso, com sua toga, governaria o país e tomaria medidas de governo, fazendo e desfazendo? Um juiz tirano decidiria sobre os rumos da nação? Outra pesquisa, essa do Monitor do Debate Político no Meio Digital da Universidade de São Paulo, mostrou que 94% dos presentes no ato bolsonarista do dia 25 de fevereiro, na Paulista, creem estarmos vivendo em ditadura. Dado mais chocante é que 88% das pessoas acreditam que quem ganhou a eleição em 2022 foi Bolsonaro. Como será que veem o presidente da República? Como governante ilegítimo, ilegal? E os milhões de votos que superaram o líder supremo e máximo deles, dados com segurança pela urna eletrônica não contam? Como será que entendem o TSE?
Os dois levantamentos recentes revelam a concepção que muitos têm do que seja uma ditadura. Engraçado é que os próprios que acham que estamos sob tal regime em sua variação imaginária, costumam pedir em manifestações “Intervenção Militar já!”, “Fechamento do Congresso e do Supremo” e outras aberrações do tipo.
Somente 8% acreditam na vitória de Lula. O mar de fake news e o persistente discurso que coloca em dúvida a credibilidade das instituições republicanas constituídas, resulta numa realidade paralela. Narrativas que são pensadas, criadas, bem imaginadas, com objetivo determinado, colocadas nas redes e vão parar na boca dos crentes nesse universo particular.
Não passa pela cabeça dos fiéis seguidores e adeptos do bolsonarismo que se em regime ditatorial estivéssemos, eles não teriam se manifestado em plena avenida pública? Não cogitam que se fosse como pensam ser, as instituições tão atacadas por eles não estariam funcionando? Deve ser somado ao número de crenças bizarras, o fantasma perigoso do comunismo, que vive a rondar, o enorme risco de atentados contra a propriedade privada, que está assustadoramente ameaçada e precisa ser ferrenhamente defendida, a ideia errônea de que Israel é um país cristão e outras diversidades que compõem a cartilha da seita.
Saindo do mundo paralelo, na verdade, quem tramou atentar contra o Estado, contra a democracia, contra a civilidade?
