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Crea diz que demolição do edifício São Pedro é um “alívio” e fiscaliza atividades

Durante a demolição do edifício São Pedro, nesta segunda-feira (11), o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Ceará (Crea-Ce) fiscalizou o trabalho e os profissionais envolvidos. No último dia 5 deste mês, o histórico patrimônio da cidade começou a ser demolido. Por volta das 7h44, máquinas pesadas tomaram conta do entorno do prédio, então chamado de Iracema Plaza Hotel e carinhosamente apelidado de “Copacabana Palace cearense”.

De acordo com o presidente do Crea Ceará, Fernando Galiza, é necessária a demolição do local para a segurança dos moradores do entorno e transeuntes. “Para mim foi um alívio não só como presidente do Crea, mas como engenheiro, como morador de Fortaleza, porque realmente tinha um risco muito grande de desmoronamento, um risco muito grande de acontecer alguma fatalidade aqui para a sociedade”.

“A gente recebeu a notícia muito bem”, completou o presidente, que deu respaldo aos profissionais que trabalham na demolição do imóvel. A decisão de demolir o prédio foi tomada pelo prefeito José Sarto (PDT) por conta, segundo a Prefeitura, do risco de desabamento e a inviabilidade de restauração. Durante a entrega da obra de requalificação da Av. Sargento Hermínio, o prefeito voltou a defender a demolição. “Estou evitando uma tragédia. Os proprietários [do imóvel] fizeram ouvido de mercador, o Governo do Estado teve a oportunidade de fazer a obra lá, mas não vai cair nas minhas mãos”, disse.

Além do Crea, outras entidades cearenses prestaram apoio à demolição do edifício. A Visite Ceará e a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Ceará (Abrasel) expressaram que as medidas de intervenção são necessárias. Em nota, a Visite Ceará informou que classifica a iniciativa como “crucial” e “imediata”. Já a Abrasel pontuou a decisão da Prefeitura como “firme” e “necessária”. “A medida é, sem dúvida, um passo fundamental para garantir a segurança dos cidadãos e turistas que frequentam a região. O risco iminente de desabamento e o uso indevido do prédio para a prática de crimes demandavam ações urgentes, e a administração municipal agiu com responsabilidade”, diz a nota da Abrasel.

CRÍTICAS

Na última semana, no entanto, o Instituto de Arquitetos do Brasil-Departamento do Ceará (IAB-CE) lançou nota na qual se mostra contrário à demolição do prédio. Conforme o documento, os motivos alegados para a demolição são públicos, a precariedade do seu estado de conservação é visível, onde a segurança e a vida das pessoas residentes no prédio e que passam pelo entorno são motivo de preocupação das autoridades. “Tal precariedade decorre da omissão e da negligência com a preservação do edifício, o que levou à atual situação”. O Instituto diz, ainda, que existem alternativas técnicas para os impasses que envolvem a questão, que vão desde a restauração integral do edifício, passando pela sua consolidação, estabilização, reutilização, requalificação, conversão funcional, preservando a volumetria original da edificação.

Para o caso da demolição já iniciada, o IAB-CE propõe a suspensão imediata. Na última sexta (8), a Procuradoria-Geral de Justiça ingressou, junto ao Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJCE), com mandado de segurança para suspender a demolição do Edifício. A suspensão é requerida até que haja julgamento de recursos do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) ainda não apreciados, interpostos contra decisões monocráticas que extinguiram Ação Civil Pública que havia sido proposta com o objetivo de resguardar o patrimônio histórico-cultural da cidade de Fortaleza.