Agentes políticos que fazem oposição ao prefeito de Fortaleza, José Sarto (PDT), criticaram a decisão do gestor em demolir o Edifício São Pedro. Dentre os parlamentares que se posicionaram de forma contrária, está a vereadora Adriana Almeida (PT), líder da oposição de Sarto na Câmara Municipal de Fortaleza (CMFor), que classificou como “falta de cuidado” do prefeito com o patrimônio histórico: “Destruição do patrimônio histórico, artístico e cultural de Fortaleza”. Outros nomes, como do também vereador Gabriel Aguiar (Psol) e dos deputados estaduais Larissa Gaspar (PT) e Guilherme Sampaio (PT), também se posicionaram a favor da manutenção do edifício, que teve sua demolição iniciada nesta terça-feira (5).
Entidades cearenses, por outro lado, apoiaram a decisão de demolição alegando que o equipamento não possui condições estruturais de manutenção.
Em suas redes sociais, Adriana Almeida destacou que o edifício é um “importante patrimônio histórico e cultural” de Fortaleza, mas que “será demolido pela Prefeitura a mando do prefeito Sarto”. “Mais uma obra dessa gestão, que agora, depois de anos de abandono e descaso, decide demolir mais um monumento histórico do município”, afirmou. De acordo com a parlamentar, a decisão faz parte de um “projeto” que visa “a construção de mais um ‘super prédio’ para os mais ricos da nossa cidade”. “Destruição do patrimônio histórico, artístico e cultural de Fortaleza: Foi a Prefs que fez!”, ironizou.
O também vereador Gabriel Aguiar (Psol), que era o líder da oposição no Legislativo Municipal até o último mês de fevereiro, destacou que em 2006 o edifício entrou para a lista de equipamentos tombados provisoriamente pela Prefeitura, mas que, em 2021, o tombamento foi cancelado, com alegação de inviabilidade na restauração do imóvel. “Após décadas de negligência, omissão e abandono, o Edifício São Pedro se tornou ruínas sem viabilidade de recuperação. Ameaçando, com sua penosa decadência, a segurança das pessoas do entorno”, escreveu o vereador.
“Além de preservar a memória e a identidade, esses locais têm o potencial de se tornarem centros de atividades culturais, proporcionando encontros, reflexões e conexões com o passado, enriquecendo a experiência da comunidade local e atraindo visitantes. É imperativo buscar soluções que valorizem e revitalizem esses patrimônios, garantindo que permaneçam de pé”, completou Aguiar.
- Leia mais | Moradores de rua acusam equipe da Prefeitura de repressão na evacuação do edifício São Pedro
Deputados estaduais que atuavam como vereadores até o final de 2022 também se posicionaram em defesa do edifício. Larissa Gaspar, uma das pré-candidatas pelo PT à Prefeitura de Fortaleza, afirmou em suas redes que Fortaleza “maltrata” o seu patrimônio urbanístico. “Isso não é novidade. A demolição do edifício São Pedro é mais um triste capítulo dessa tragédia. Sarto se apressa para demolir, provavelmente teremos mais um super prédio para encher os bolsos de alguém e prejudicar a cidade”, expressou.
O seu colega Guilherme Sampaio, que possui mandato licenciado na CMFor, já que atua como suplente em exercício na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), pontuou que a “luta pela preservação da nossa cultura e memória sempre será nossa pauta”. “Demolir o São Pedro demonstra mais uma vez desprezo da PMF [Prefeitura Municipal de Fortaleza] ao valor cultural de Fortaleza. Em 2018 denunciava a aprovação pela PMF da construção de um edifício de 97 andares no lugar dele. A Praia de Iracema é a prova ‘ainda viva’ da luta do poder contra o mar. O mar tem sua eternidade, o poder não!”, afirmou.
