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Avenida Paulista Tomada

Domingo, 25 de fevereiro de 2024. Chamados pelo líder supremo e soberano, eis que a multidão que ainda é fiel, compareceu a um logradouro público, com segurança pública, para um evento idealizado por um particular. Em cima de 2 trios elétricos (embora o carnaval já tenha passado), figuras da direita se encontraram, abraçaram-se, uniram-se pelo ideal do que foi chamado de defesa do Estado Democrático de Direito. Mas há até pouco tempo, o que foi tramado no seio do ex-governo, não era um atentado contra este mesmo Estado? Será que obedeceram o pedido de “não levem faixas contra ninguém”? Em eventos semelhantes, pouco tempo atrás, era comum ver cartazes pedindo o fechamento do STF e do Congresso.

Por vários minutos, nomes ilustres do bolsonarismo discursaram para a turba verde e amarelo que reconhecidamente lotou a Paulista. Eles têm capacidade de mobilização. O movimento está vivo e forte. Não podem ser subestimados. O toc toc toc da PF na porta de vários deles, investigações em curso, prisões de uns, risco de prisões de outros, não tiram o ânimo nem amedrontam o tom do que foi proclamado em alto e bom som no palco do carro gigante.

Michelle (orou piedosamente) fez um misto de manifestação e culto. Teria Deus escolhido seu esposo para o governo do país, assim como acontecia com os reis na pré-revolução francesa, na concepção do direito divino do poder? Aqui cabe uma frase dita por Pe. Julio Lancellotti: “Eu sou ateu do Deus do Bolsonaro” e completando: do Deus do bolsonarismo.

Magno Malta, Tarcísio, Nikolas, Malafaia e Bolsonaro anunciaram a mensagem intocável que os que estavam ali gostam e precisam de vez em quando ouvir, para que permaneçam sempre alimentados de uma realidade criada e mantida por eles próprios. Onde há comunismo? O ex-presidente disse lutar contra tal política. Onde a propriedade privada é atacada? Ele disse estar em defesa desta. São alguns exemplos da narrativa elaborada com uma função determinada de dar alimento para que seja ruminado.

Alguns detalhes importantes para registro: bandeiras do Brasil aos montes e de Israel também. Distintas senhoras dizendo que defendiam Israel por ser um país cristão, outras dançando ao som de Para não dizer que não falei das flores, de Geraldo Vandré, que ficou conhecida como um hino contra a ditadura militar. Eles deram o claro recado deles. Cabe aos que realmente defendem o Estado democrático e as instituições republicanas a resistência e possíveis respostas.