O deputado federal Idilvan Alencar (PDT) afirmou que ainda espera mais de Camilo Santana (PT) como ministro da Educação. O parlamentar afirmou, em entrevista ao OPINIÃO CE, que o ex-governador chegou para reconstruir a pasta, que foi “desconstruída” durante o Governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), conforme Idilvan. No entanto, frisou que ainda há pautas importantes que devem ser levadas em consideração pelo Ministério da Educação (MEC) neste terceiro mandato do presidente Lula (PT). Entre as pautas, um dos destaques é em relação à construção de creches.
“Segundo o Censo, na semana passada, estão faltando 900 mil vagas para a creche até 2024”. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em relação ao Censo Demográfico de 2022, quase um milhão de vagas precisam ser abertas para que a meta do Plano Nacional de Educação (PNE) – estipulada até 2024 – seja batida. O PNE estipula que 50% das crianças de 0 a 3 anos deveriam estar na creche. Como completou Idilvan, o resultado não é “culpa” de Camilo, já que este se trata de um processo que já vem “se arrastando ao longo do tempo”, como pontuou.
Outro destaque feito pelo parlamentar é o do transporte universitário e da oferta de universidade pública. “Ao Ensino Superior, apenas 15% da oferta é da Universidade Pública. Temos que ter a Universidade Pública nesse País há muito tempo. Queremos mais investimento nessa área”, afirmou. Uma outra pauta apontada pelo pedetista é o da Educação de Jovens e Adultos. “O censo mostrou a queda ao longo do tempo. Na alfabetização, tranquilo, com a criança, mas quando chega no adulto, nós não somos referência, nem mesmo o Ceará”, completou, lembrando que o Estado é destaque dentre as Unidades da Federação (UF) na pasta da educação.
“RECONSTRUÇÃO” DA EDUCAÇÃO
Segundo Idilvan, políticas que considera importantes apresentadas por Camilo como ministro da Educação devem ser ressaltadas. Em relação às ações, o deputado destacou as receitas disponibilizadas ao Programa Escola em Tempo Integral, o programa Pé de Meia e os reajustes na alimentação escolar, no transporte escolar e nas bolsas federais para o ensino superior.
O parlamentar fez duras críticas à condução da Educação durante o Governo Bolsonaro. Na ocasião, ele lembrou que quem iniciou a política de tempo integral foi o ex-presidente Michel Temer (MDB). Porém, como pontuou, Bolsonaro descontinuou tal política. “Ele não passou mais dinheiro para o tempo integral. Ele adotou uma pauta que é da escola cívico militar, e nenhum país do mundo tem uma proposta dessa”, disse.
“Primeiro, porque o custo de uma escola dessa é três vezes mais que uma escola regular. Não deu certo, foi um fiasco. Tanto que só 1% do orçamento de escolas cívico militar foi executado”. Outra crítica à política de Educação do ex-presidente foi em relação à Educaçao de Jovens e Adultos, a qual foi descontinuada durante a gestão de Bolsonaro. “Ele não fazia cerimônia de acabar a política, ele só não repassava dinheiro, e [a política] ia se acabando”.
“Então o Camilo chega em um ministério completamente destruído. O fim do ministério da Educação do Bolsonaro é com ministro preso. Chegaram ao fundo do poço”, completou, lembrando que o ex-ministro Milton Ribeiro foi preso preventivamente pela Polícia Federal (PF) durante a operação Acesso Pago.
