A Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) realizou nesta quarta-feira (21), em Quixadá, no Sertão Central, a Reunião de Avaliação da Operação 2023.2 dos três maiores açudes do Ceará: Banabuiú, Orós e Castanhão. Durante o encontro, que contou com a participação dos comitês de Bacias Hidrográficas, também foram definidos os parâmetros da operação de 2024.1 para esses reservatórios.
A operação, de caráter provisório durante a quadra chuvosa, ocorre entre fevereiro e junho. Após esse período, acontecerá a Reunião de Alocação Negociada de água dos reservatórios monitorados pela Cogerh. Participaram os representantes dos comitês do Baixo, Médio e Alto Jaguaribe, Banabuiú, Salgado e Região Metropolitana.
O diretor de Operações da Cogerh, Tércio Tavares, destacou que a reunião representa uma continuidade do trabalho de gestão participativa da companhia, visto que o processo ocorre da mesma forma nos demais reservatórios monitorados, sempre com a anuência de representantes dos comitês de Bacias Hidrográficas do Estado.
Para o primeiro semestre de 2024, são aprovadas vazões máximas para a operação emergencial dos reservatórios. Tércio Tavares lembra que o processo da operação emergencial no primeiro semestre é diferente da alocação negociada, que ocorre tradicionalmente no segundo semestre.
“Nesse primeiro momento, enquanto há expectativa de algumas chuvas, nós trabalhamos com um teto máximo para essa operação. Quando a chuva acontece, a água é economizada. Essa liberação funciona como um complemento e salvação para que não haja escassez”, explica Tércio Tavares.
O presidente do Comitê do Salgado, Wyldevânio Vieira, reforçou o papel dos comitês de Bacias no processo de gestão das águas do Ceará. “Nossa participação, enquanto comitê, é crucial para que o processo de gestão das águas continue sendo compartilhado e tão democrático”, ressaltou.
BANABUIÚ
A vazão aprovada, por consenso, para o sistema Banabuiú durante o primeiro semestre de 2024 foi de mil litros por segundo, sendo 950 para perenização do rio e para a bacia hidráulica.
O Açude Banabuiú teve uma variação positiva de aproximadamente 1 milhão de metros cúbicos entre o volume simulado e o realizado em 2023. O gerente da bacia, Luis Cesar Pimentel, reportou algumas ações realizadas para garantir mais segurança hídrica neste período, como a requalificação da válvula dispersora do reservatório, feita por meio da gerência de manutenção da Cogerh.
ORÓS
Com relação ao Orós, a vazão aprovada para o primeiro semestre deste ano foi de 2 mil litros por segundo. O coordenador do Núcleo de Operações, Cássio Sales, expôs os dados da avaliação da operação de alocação 2023.2 do Açude Orós. A variação final foi de aproximadamente 13,64 milhões de metros cúbicos por segundo, entre o volume simulado e o realizado em 2023, resultando em uma operação positiva. Cássio Sales também relatou manutenção no sistema de canais e diversas ações de manutenção do Orós.
CASTANHÃO
Após debate da plenária, a macro vazão aprovada para o primeiro semestre de 2024 para o Castanhão foi de 14 metros cúbicos por segundo, sendo 7,5 para o vale (perímetros irrigados, rio) e 6,5 para a Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).
Após hiato de cinco anos, o Açude Castanhão voltará a transferir água para a Região Metropolitana de Fortaleza pelo Eixão das Águas. Com o reforço das águas da transposição do Rio São Francisco, a ação representa mais segurança hídrica para a RMF, tendo em vista o prognóstico climático de maior probabilidade de chuvas abaixo da média e a atual situação do sistema hídrico metropolitano, cuja acumulação gira em torno de 52% da capacidade total.
De acordo com a prestação de contas da operação realizada em 2023, o Açude Castanhão teve uma variação positiva. Conforme apresentado por Hermilson Barros, gerente da bacia, foi alocado 18 metros cúbicos por segundo e realizado 16, indicando uma variação positiva na operação do reservatório. A operação atendeu toda a região de montante, bem como a perenização do Castanhão.
PROGNÓSTICO DA FUNCEME
Meiry Sakamoto, da Gerência de Meteorologia da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), apresentou o Prognóstico Climático Quadra Chuvosa de 2023 e as tendências para o próximo trimestre. Segundo ela, os modelos seguem indicando cenário de pluviometria abaixo da média histórica, fato que pode refletir na recarga dos reservatórios.
SITUAÇÃO DOS RESERVATÓRIOS
Hoje, os três maiores açudes do Ceará encontram-se com os seguintes volumes acumulados: Orós (50,21%), Castanhão (22,8%) e Banabuiú (36,4%). O volume total acumulado dos 157 reservatórios monitorados registra nesta quarta 37,1 % da capacidade total do Estado.
