A Polícia Federal (PF) intimou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a depor acerca de suposto envolvimento em organização criminosa que tentou organizar um golpe de Estado após as Eleições de 2022. O depoimento, marcado para ocorrer na próxima quinta-feira (22), deve contar também com a presença do coronel Marcelo Costa Câmara, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro que está preso desde o último dia 8 de fevereiro.
A defesa do ex-ajudante de ordens, no entanto, pede pelo adiamento da ocasião de depoimento à PF. Eduardo Kuntz, advogado responsável pela defesa de Câmara, falou ao O Estadão que a “ampla defesa” do seu cliente está “totalmente comprometida por falta de acesso aos elementos da investigação“. Sem tais informações, o advogado diz que a defesa está impedida de trabalhar e que o depoimento deveria, portanto, ser adiado. Segundo investigação, Câmara era o “responsável por um núcleo de inteligência não oficial do presidente da República, atuando na coleta de informações sensíveis e estratégicas para a tomada de decisão de Jair Bolsonaro”.
OPERAÇÃO TEMPUS VERITATIS
A Operação Tempus Veritatis, deflagrada no dia 8, prendeu ainda outros três nomes: Bernardo Romão Correa Neto, o major Rafael Martins de Oliveira e o ex-assessor especial para Assuntos Internacionais de Bolsonaro, Filipe Garcia Martins, que seguem em prisão preventiva, tal qual Câmara. De acordo com a PF, o entorno de Bolsonaro se dividia em diferentes núcleos com funções como “desinformar a população”, “atacar o sistema eleitoral”, “pressionar militares” e “elaborar documentos jurídicos que atendessem aos interesses golpistas para manter o ex-presidente no poder”.
Após um dia da deflagração da Operação, o Supremo Tribunal Federal (STF) tornou público vídeo de reunião de Bolsonaro com integrantes do seu corpo de ministros. No encontro, que ocorreu no dia 5 de julho de 2022, antes das Eleições Gerais, o então presidente aparece orientando os seus ministros a questionar as urnas e o papel do Poder Judiciário. Demonstrando preocupação com uma possível vitória do então candidato e agora presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT), Bolsonaro cobrou que seus ministros adotassem discursos de tom crítico a instituições como o STF e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
