Devido aos relatos e acusações de parlamentares, a Mesa Diretora da Câmara Municipal de Fortaleza (CMFor) vai apurar os casos de violências registrados na primeira sessão do ano, nesta quinta-feira (1º). Com o retorno dos trabalhos, a Mesa deve se reunir na próxima semana, ainda sem data definida, para definir uma posição acerca dos episódios. A informação foi confirmada pelo presidente da Casa, vereador Gardel Rolim (PDT), em entrevista ao OPINIÃO CE.
Segundo ele, os casos serão avaliados com serenidade e tranquilidade. “Meu papel, como presidente, é proteger o Poder Legislativo, garantir que todos os colegas vereadores sejam tratados com respeito e que, indiferente das suas posições partidárias ou eleitorais, nós precisamos ter uma organização no debate”, destacou o parlamentar.
Durante a primeira sessão no retorno dos trabalhos da CMFor, alguns vereadores denunciaram ter sofrido violência por parte dos próprios colegas parlamentares. A discussão ficou aflorada quando o prefeito José Sarto foi chamado à tribuna para discursar. Além disso, outros parlamentares criticaram o que chamaram de “falta de educação dos professores presentes”, que pediam o reajuste salarial, pelo excesso de interrupções.
Leia mais em: Suspensão de sessão, tensões e protestos marcam primeiro dia de trabalhos da CMFor
Eleita vereadora em 2020, Enfermeira Ana Paula (PDT) acusa o suplente de vereador Júlio Aquino (União Brasil) de ter filmado sua calcinha em determinado momento da confusão. Ao OPINIÃO CE, o vereador Inspetor Alberto (PROS) disse que o colega foi agredido com tapas da cara. “Eu estou com as imagens que um suplente de vereador foi espancado, levou dois tapas na cara aqui dentro”, disse. Ana Paula também teria dado um tapa na vereadora Cláudia Gomes (PSDB). “Eu, uma mulher, fui agredida por uma colega aqui nessa casa. Foi tudo filmado“, disse Cláudia Gomes.
“Acho que a população de Fortaleza não merece isso, não quer agressão, não quer violência. Infelizmente, isso é um fato que a gente não queria que acontecesse. Que os parlamentares tenham mais calma, estamos lutando por matérias diferentes, mas não precisamos de agressão”, desabafou a parlamentar.
A Enfermeira Ana Paula, por sua vez, diz que apenas revidou um empurrão da colega em meio a clima tenso com o presidente da Casa, Gardel Rolim. “A vereadora Cláudia veio para tomar as dores do presidente, me empurrou, e eu apenas revidei. A vereadora saiu do lugar dela para intervir e eu só revidei para evitar que pegasse em mim ou na minha irmã. Isso está registrado nas câmeras”, destacou a parlamentar, em pronunciamento após o ocorrido. Ana Paula denuncia, ainda, que vem sendo perseguida no Legislativo municipal.
“Essa Casa vai chegar com mais perseguição. Não é porque eu sou mulher. Esse suplente de vereador filmou, na hora que eu estava no chão, e quando fui me levantar, minha calcinha apareceu. Não sei o motivo de ele estar filmando e, inclusive, falando: ‘olha o que ela faz’. Isso não é coisa que se faça com uma vereadora. Me senti violada, invadida, dentro da minha própria Casa.”
Com informações de Felipe Barreto*
