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Ceará registra redução de 63% nos casos de dengue em 2023; situação nacional preocupa

Foto: Reprodução/Shutterstock

O Ceará registrou redução de 63% nos casos de dengue na comparação entre 2023 e 2022. No ano passado, foram confirmadas 13.972 suspeitas, mais de 90 mil a menos que os 104.611 casos confirmados em 2022. O resultado, divulgado pela Secretaria Estadual da Saúde do Ceará (Sesa) mostra um cenário de baixa ocorrência da doença durante o ano. Para 2024, em âmbito nacional, no entanto, a estimativa do Ministério da Saúde (MS) preocupa. Conforme a pasta, há a possibilidade de até 4,2 milhões de casos novos. Com isso, na segunda semana de fevereiro, deve ser iniciada a distribuição da vacina para 521 municípios que seguem três critérios estabelecidos pelo órgão máximo da saúde brasileira.

Nenhuma cidade cearense consta na lista divulgada pela pasta, por não seguirem os critérios.

Conforme a Sesa, até a semana epidemiológica 49, de 38.081 casos suspeitos, 36,7% foram confirmados – daí, os 13.972 casos. Destes, o critério de confirmação dos casos encerrados foi de 54,7% (7.643) pelo critério laboratorial e 45,9% (6.329) por critério clínico-epidemiológico. Outros 60,7% dos casos suspeitos foram descartados após o exame.

A taxa de casos confirmados é considerada alta, de 433,1 casos por 100 mil habitantes. Isso não significa, no entanto, que o cenário preocupa. No ano, apenas 22 casos no Ceará foram considerados graves. Oito óbitos foram registrados no Estado durante 2023, sendo dois deles em Fortaleza, dois em Jaguaribe, um em Caucaia, um em Pacatuba, um em Limoeiro do Norte e um em Brejo Santo.

CENÁRIO DA DENGUE EM 2024 PREOCUPA EM ÂMBITO NACIONAL

O ano de 2024, conforme o MS, deve registrar 1.960.460 casos de dengue no Brasil. A estimativa, no entanto, pode variar de 1.462.310 até 4.225.885 novos casos. Os números foram divulgados pela pasta nesta terça-feira (30), em Brasília, durante encontro entre representantes da Sala Nacional de Arboviroses, do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).

Nas quatro primeiras semanas do ano, o país contabilizou um acumulado de 217.841 casos prováveis da doença. Há ainda 15 mortes confirmadas e 149 em investigação. A incidência, segundo os dados divulgados, é de 107,1 casos para cada grupo de 100 mil habitantes, enquanto a taxa de letalidade está em 0,9%. No balanço anterior, que englobava as três primeiras semanas de 2024, o país registrava 12 mortes e 120.874 casos prováveis da doença. Havia ainda 85 óbitos em investigação.

DISTRIBUIÇÃO DA VACINA

No último dia 25 de janeiro, o MS divulgou a lista em que informa os 521 municípios de 16 estados e do Distrito Federal (DF) que foram selecionados para iniciar a vacinação contra a dengue por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) a partir de fevereiro. Por não atender os três critérios estabelecidos pela pasta da Saúde, as cidades cearenses não estão entre as Prefeituras que receberão os imunizantes. Os critérios são os seguintes:

  • Municípios com mais de 100 mil habitantes;
  • Que registraram alta transmissão de dengue no período 2023 e 2024;
  • Municípios com maior predominância do sorotipo DENV-2, sorotipo dois da dengue.

No dia em que o Ministério apresentou as estratégias para o combate à dengue no ano, o OPINIÃO CE questionou a pasta se há previsão para quando as cidades que não seguem o critério receberão as doses, mas não obteve retorno. A Sesa também afirmou que o Estado não tem previsão de quando poderá receber as doses contra a dengue, mas ressaltou o cenário de baixa transmissão da doença em 2023.

Conforme o MS, o primeiro lote contra a dengue possui um total de 1,32 milhão de doses. A priori, serão vacinadas crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, já que tal faixa etária foi a que concentrou o maior número de hospitalizações por dengue. Entre janeiro de 2019 e novembro de 2023, tal população respondeu por 16,4 mil hospitalizações. O grupo está atrás apenas dos idosos, faixa etária a qual não teve autorização para receber as vacinas.

“A definição de um público-alvo e regiões prioritárias para a imunização foi necessária em razão da capacidade limitada de fornecimento de doses pelo laboratório fabricante da vacina”, comunicou o Ministério da Saúde.

Ainda conforme o órgão federal, no entanto, outra remessa com mais de 568 mil doses está com entrega prevista para o próximo mês de fevereiro. “Além dessas, o Ministério da Saúde adquiriu o quantitativo total disponível pelo fabricante para 2024: 5,2 milhões de doses. De acordo com a empresa, a previsão é que sejam entregues ao longo do ano, até dezembro. Para 2025, a pasta já contratou 9 milhões de doses”, acrescentou. 

ESQUEMA VACINAL

O esquema vacinal vai ser composto por duas doses, a serem aplicadas com um intervalo de três meses. Segundo a pasta, o Brasil é o primeiro país do mundo a oferecer o imunizante no sistema público. A Qdenga, vacina produzida pelo laboratório Takeda, foi incorporada ao SUS em dezembro do ano passado, após análise da Comissão Nacional de Incorporações de Tecnologias no SUS (Conitec).