A seca está de volta. O semiárido cearense ciclicamente enfrenta tempos difíceis com a falta de chuva. Os Campos de Concentração são a marca dos tempos terríveis da estiagem prolongada, período que serviu de ensinamento para não se repitam erros, como isolar os famintos. No movimento atual do convívio com a seca é possível suportar anos sem uma gota de chuva. Açudes, barragens, dessalinização, águas subterrâneas e transferência de bacias, como a transposição do São Francisco, são alternativas.
O Comitê da Seca, criado pelo governador Elmano de Freitas (PT) para enfrentar a estiagem com o super calor, se reúne nesta terça-feira (30), em Senador Pompeu, onde ocorreu o holocausto nordestino nos conhecidos Campos de Concentração, locais onde famintos e doentes, em consequência da seca, morreram em 1932. O local é símbolo para refletir e conscientizar a população do fato e da necessidade de que não torne a ocorrer.
O evento, denominado de “Adaptação e convivência com o semiárido: Desafios e soluções para um ambiente em transformação”, acontece às 9h, na Escola de Ensino Profissionalizante de Senador Pompeu. O encontro vai discutir o enfrentamento dos problemas comuns que poderão atingir os municípios cearense durante a quadra chuvosa, que no Ceará acontece de fevereiro a maio.
CHUVAS ABAIXO DA MÉDIA
Para o próximo trimestre (fevereiro a abril), o Ceará tem 45% de probabilidade de chuvas abaixo da média, conforme previsão da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). As chances de precipitações dentro da normal e acima da normal histórica são de 40% e de 15%, respectivamente. O prognóstico se baseia em informações do Sistema de Recursos Hídricos do Governo do Ceará e indica a tendência de uma estação chuvosa mais curta, com os principais acumulados de chuva ocorrendo entre os meses de fevereiro e março, sendo mais irregulares em abril e, principalmente, em maio.
Em fevereiro, a Funceme divulgará o prognóstico climático para o Ceará abrangendo o trimestre março, abril e maio.
A expectativa de precipitações abaixo da média já vinha sendo alertada desde o ano passado, por conta do chamado Super El Niño no Nordeste. No momento, conforme o presidente da Funceme, Eduardo Sávio, o Oceano Atlântico está aquecido, mantendo a configuração de aquecimento do Pacífico, o que estabelece a condição do El Niño. A estação chuvosa (fevereiro a maio) no Ceará sofre influência da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), enquanto a pré-estação, que começou em dezembro e se encerra neste mês, é acometida por áreas de instabilidade.
