A taxa de fortalezenses endividados apresentou estabilidade, é o que revela a primeira Pesquisa de Endividamento do Consumidor de Fortaleza deste ano, divulgada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Ceará (Fecomércio-CE). O levantamento mostra que 70,8% dos residentes da Capital estão atualmente endividados, mesmo percentual identificado em dezembro de 2023, refletindo a estabilidade no índice de endividamento no início do ano.
Na comparação com o mesmo período do ano anterior, a pesquisa aponta que o percentual caiu de 75,8%, em janeiro de 2023, para os atuais 70,8%. Já em relação aos consumidores com contas pendentes ou dívidas em atraso, houve diminuição de 0,4 pontos percentuais, passando de 20,6%, no último mês, para 20,2% em janeiro, melhor resultado desde março de 2020.
O tempo médio de atraso é de 77 dias e a principal justificativa para o não pagamento das dívidas é o desequilíbrio financeiro, citado por 61,9% dos entrevistados. O segundo motivo mais mencionado é a necessidade de se adiar o pagamento, para uso dos recursos em outras finalidades, com 39,4% das respostas, seguido da contestação das obrigações (5,6%) e a perda de prazo por esquecimento (5,2%).
COMPROMETIMENTO DA RENDA
Em média, os consumidores de Fortaleza destinam 43,8% da renda familiar para pagar suas dívidas. Entre os instrumentos de crédito mais utilizados pelos consumidores foram citados cartões de crédito (74,5%), financiamento bancário (17,5), empréstimos pessoais (10,6%) e carnês (5,3%). Os gastos correntes contribuem para o endividamento, destacando-se aquisição de alimentos a prazo, mencionada por 51,5% dos entrevistados. Além disso, observa-se o comprometimento financeiro com o pagamento de aluguel residencial (16,0%), a cobertura de despesas relacionadas à saúde (12,6%) e educação (11,2%).
A taxa de inadimplência potencial, que indica consumidores que enfrentarão dificuldades financeiras para cumprir suas obrigações, foi de 9%. O perfil do consumidor em situação de inadimplência revela uma predominância no sexo feminino, com uma taxa de inadimplência potencial de 9,6%. Além disso, destaca-se o grupo etário com idade acima dos 35 anos, com um índice de 9,6%, e o estrato de renda familiar mensal inferior a cinco salários-mínimos, que apresenta uma taxa de 9,1%.
A pesquisa revela, ainda, que 79,3% dos consumidores de Fortaleza afirmam fazer orçamento mensal e acompanhamento eficaz dos seus gastos e rendimentos, resultando em um melhor controle dos níveis de endividamento. Cerca de 10,8% dos entrevistados relataram que fazem orçamento dos rendimentos, mas sem controle eficaz dos gastos. A falta de planejamento orçamentário é um problema crítico para o controle do endividamento, estando sempre entre um dos principais motivos para o atraso ou inadimplência. Entre os fatores listados pelos consumidores que mais contribuem para a problemática do endividamento, estão:
- A falta de orçamento e controle dos gastos, com 48,8% das respostas;
- Gastos imprevistos, com 26,1%;
- O aumento dos gastos considerados essenciais, com 22,5%;
- As compras por impulso, sem necessidade ou além do necessário, com 19,4%.
- Redução dos rendimentos, com 17,5%; e
- Desemprego, com 16,2%.
