Iniciado na última quinta-feira (18), o incêndio registrado em uma área de difícil acesso no Parque do Cocó foi controlado na manhã deste domingo (21). “Informo aos cearenses que, após mais um dia de trabalho intenso do nosso Corpo de Bombeiros, o incêndio no Parque Estadual do Cocó foi controlado. Mesmo assim, as equipes manterão a vigilância durante todo o resto do dia e por toda a madrugada para evitar novos focos na área atingida”, disse o governador Elmano de Freitas (PT), pelas redes sociais.
Conforme o governador, “o trabalho segue agora para rigorosa apuração das causas do incêndio”.
“Aproveito para parabenizar pelo trabalho e agradecer, de coração, nossas equipes dos bombeiros, brigadistas da Secretaria do Meio Ambiente e policiais militares do Batalhão de Polícia do Meio Ambiente (BPMA) pelo incansável trabalho ao longo desses dias”.
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Trabalharam no caso equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Ceará (CBMCE), brigadistas da Secretaria do Meio Ambiente e Mudança Climática do Ceará (Sema), da Polícia Militar do Estado do Ceará (PMCE) e voluntários. Segundo o coronel Cláudio Barreto, comandante geral do CBMCE, não há mais fogo registrado no Parque, “graças a um trabalho incansável, focado, coordenado e, acima de tudo, heroico de nossos brigadistas”. No momento, conforme Barreto, “só alguns troncos caídos” permanecem liberando fumaça em pontos isolados. “Mas os bombeiros continuarão monitorando“, completou.
As investigações sobre o que teria causado o sinistro estão sob responsabilidade da Perícia Forense do Ceará (Pefoce). Ainda na quarta, o governador disse ter determinado “apuração rigorosa sobre as causas do incêndio”. Desde 2020, o Parque Estadual é alvo de ações dessa natureza. Em 2021, um incêndio de grandes proporções atingiu a unidade de conservação, consumindo 46 hectares – 2,9% do parque ecológico. Um laudo pericial da Pefoce concluiu, à época, que o sinistro foi causado pela ação humana involuntária.
“Este não é o primeiro, nem será o último. Todo ano a cena se repete! Enquanto isso, a nossa biodiversidade luta para se reestabelecer em uma cidade que não valoriza suas riquezas naturais. Previsível e evitável. A gestão do parque precisa do real apoio do Governo do Estado para acabar, de vez, com os incêndios (90% deles são criminosos)”, cobrou o vereador Gabriel Aguiar (PSOL). No incêndio mais recente, conforme informações iniciais de autoridades que estiveram no local, cerca de 10 hectares foram atingidos, causando danos à fauna e flora locais. O OPINIÃO CE demandou a Pefoce sobre como se dará as investigações acerca do incêndio, mas não houve retorno até o fechamento.
AÇÃO DE CONTROLE
Durante os trabalhos realizados no sábado (20), os bombeiros militares fizeram uso do líquido gerador de espuma (LGE), que atua com o resfriamento e o abafamento, o que evita a reignição das áreas queimadas que ficam aquecidas. A substância, então, auxilia a manter controlados os focos de incêndio que permanecem ativos. Além do LGE, seguem sendo utilizadas bombas de água e um drone com câmera térmica que permite uma vistoria de como está a situação no local. O coronel comandante geral do Corpo de Bombeiros, Cláudio Barreto, atuou no local com as equipes e sinaliza o avanço na operação de combate às chamas.
“Fizemos um sobrevoo na área e verificamos os pontos de calor em que deveríamos focar. Tivemos êxito em extinguir parte desses focos de calor e, agora à noite [deste sábado], seguiremos atuando no controle do último foco que verificamos estar ativo. As nossas guarnições seguem firmes e fortes para finalizar a operação e debelar qualquer foco de incêndio”, apontou.
Como apontou a Sema ao OPINIÃO CE, as chamas estão “praticamente controladas”. “As equipes vão continuar no local fazendo o trabalho de rescaldo, que deve prosseguir por todo o domingo. Os brigadistas torcem para não ter nenhuma reignição de chamas”, enviou a pasta em nota. As informações são do secretário de Planejamento e Gestão Interna da Secretaria, Gustavo Vicentino.
O INCÊNDIO
Na última sexta-feira (19), o coronel Cláudio Barreto ressaltou que as equipes relataram que não havia fogo na superfície do parque. “O local onde nós estamos é um local de mata fechada e que ainda existem alguns focos de calor. As equipes do Corpo de Bombeiros estão trabalhando diretamente nesses focos, e a nossa preocupação é essa. Na vegetação não tem mais fogo na superfície, e esse fogo é subterrâneo“, disse o oficial, no momento. Ainda na quinta, durante o início do foco, a população fortalezense relatou sentir o cheiro de fumaça mesmo a longas distâncias do Parque do Cocó. Ao OPINIÃO CE, uma moradora do bairro Presidente Kennedy relatou o cheiro “horrível” da fumaça. “Estou fechando as portas porque a fumaça está chegando até aqui”, disse. O forte cheiro também foi observado em locais como na Avenida Pontes Vieira, próximo ao Colégio da Polícia Militar, no Centro de Fortaleza e nas proximidades da Cidade 2000.
Por conta do incidente, que movimentou forças de segurança do Estado, Academia e voluntário, os acessos às trilhas do Parque Estadual foram fechados, assim como foi suspensa a navegação pelo rio. “Trata-se de uma medida para garantir a segurança dos frequentadores deste patrimônio do povo cearense”, disse a titular da Sema, Vilma Freire. A pasta estadual também afirmou, ao longo da operação, que a população pode se deparar com alguns animais, fugidos do parque, em áreas urbanas. Nesses casos, é possível entrar em contato pelos canais 190 (BPMA), (85) 3101.5562 | (85) 3101.5580 | (85) 3254.3083 (Central de Atendimento), 0800 275 22 33 (Disque Natureza) ou (85) 3101.5580 (SEMA/COANI).
