Moradores de diferentes bairros de Fortaleza estão sentindo, desde as primeiras horas desta quinta-feira (18), os efeitos de incêndio registrado no Parque Estadual do Cocó. Diante da fumaça, o Corpo de Bombeiros Militar do Ceará orienta à população a deixar portas e janelas fechadas para evitar a entrada da fumaça em ambientes internos. O OPINIÃO CE conversou com o biólogo, professor da Uece e brigadista que acompanha as ações da força de segurança que tentam controlar o incêndio, Hugo Fernandes.
“Podemos questionar o que nós, enquanto sociedade, podemos fazer para evitar com que isso aconteça, que é o o estabelecimento de uma política de prevenção em incêndios. Isso demanda, obviamente, mais estrutura, mais fiscalização, sobretudo um manejo florestal”, aponta.
Segundo ele, brigadistas da Secretaria do Meio Ambiente (Sema) do Ceará, gestora da unidade de conservação, policiais militares que integram o Batalhão Policial do Meio Ambiente (BPMA) e Defesa Civil realizam um bom serviço, neste momento, para debelar o incêndio, que segue com origem ainda incerta.
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“O manejo florestal é, por exemplo, evitar o acumulo de matéria orgânica acima do solo que possa provocar ou piorar um incêndio”, explica Fernandes. “Certamente, esse é um incêndio criminoso? Possivelmente. A gente está em janeiro, que é um período já chuvoso. Dificilmente um incêndio natural ocorreria assim. Porém, o que faz com que ele se alastre é um acúmulo de matéria orgânica e essa matéria orgânica pode ser manejada. Ela pode ser retirada ao longo do ano e pode ser, inclusive, queimada, mas com uma queima controlada. A gente está evoluindo muito, no Brasil e no Ceará”, aponta.
O governador Elmano de Freitas (PT) determinou “apuração rigorosa” do caso. “Estou acompanhando, com preocupação, as informações sobre o incêndio em uma área do Parque Estadual do Cocó”, disse.
FAUNA
Segundo ele, é preciso analisar se há animais próximos ao incêndio que estajam em perigo iminente. “Pelo que estou observando, esse não é o caso. Esse é um incêndio linear. Claro que, para animais de menor mobilidade, é preciso ter um cuidado maior”. O biólogo explica ainda que, após o sinistro, haverá um avaliação técnica para observar a dispersão desses animais, que podem, inclusive, se direcionar residências próximas . “Esses impactos serão avaliados e mitigados”, destaca Hugo Fernandes.
