Tempos atrás, circulou pelas redes, a imagem de duas conhecidas figuras da ficção brasileira e argentina, abraçando-se: antes, Mafalda abraçou Mônica, acolhendo a amiga, consolando-a, dando força e ajuda. Agora, quem dá o conforto e aquele abraço em Mafalda é a Mônica. Personagens da ficção para situações da realidade. Javier Milei foi eleito e tomou posse como presidente da Argentina.
Durante tenebroso quadriênio, diariamente assistíamos medidas absurdas sendo oficializadas. Entrevistas sem decoro. Falta de liturgia para com o cargo ocupado. Linguagem baixa e palavrões proferidos por quem deveria manter sempre a postura, dada a importância do que representava.
A onda da extrema-direita agora chega para nossos vizinhos que terão que conviver com um governo um tanto parecido com o que vigorou por aqui de 2019 a 2022. É claro que Milei, com suas ideias e propostas incomuns, embora agora com tom amenizado, consegue superar Bolsonaro. Ele quer dolarizar a economia dos pesos, permitir a venda de órgãos humanos, enxugar significativamente o tamanho do Estado, eliminando ministérios importantes para todo país – proposta velha conhecida nossa. Apresentou-se como um político diferente e antissistema. O salvador da pátria, não esqueçamos, de Cortázar, de Quino, elegeu-se e governará a terra do papa.
Nem o papa escapou das falas absurdas do despenteado político argentino. Ele disse, há anos, que Francisco seria um representante maligno. Talvez os seguidores de Jorge Mário no X, antigo Twitter, concordem com tal afirmação ao xingarem as postagens do pontífice favoráveis ao fim da guerra entre Israel e Hamas. Tem ateu saindo em defesa do líder máximo da igreja católica e católico contrário ao sucessor de Pedro.
Os bons hermanos merecem todos um abraço afetuoso, que transmita a resistência que tivemos enquanto aqui perdurou a irracionalidade, o negacionismo, o ódio, a indiferença.
Fuerza, hermanos!
