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Sindsaúde: por falta de repasses da Prefeitura, Santa Casa suspende atendimentos por tempo indeterminado

Santa Casa da Misericórdia de Fortaleza. Foto: Divulgação

A Santa Casa da Misericórdia de Fortaleza terá a suspensão de seus atendimentos por tempo indeterminado a partir das 7h desta sexta-feira (15). A presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Nível Médio e Técnico que Atuam na Saúde do Estado do Ceará (Sindsaúde Ceará), Martinha Brandão, denunciou a falta de repasses dos meses de agosto e setembro da Prefeitura de Fortaleza à Unidade, o que teria impossibilitado o pagamento dos funcionários do mês de novembro. O OPINIÃO CE entrou em contato com a Gestão municipal, e aguarda retorno.

Conforme Martinha Brandão, a paralisação acontece para pressionar os gestores pelo pagamento dos trabalhadores referentes ao mês de novembro. “O atraso se deve principalmente à falta de compromisso do prefeito de Fortaleza José Sarto [PDT], que até o presente momento não fez o repasse para a Santa Casa referente aos meses de agosto e setembro”, completou.

“Os trabalhadores não têm outra alternativa, vão precisar cruzar os braços para pressionar pelo pagamento de um serviço que eles já prestaram”.

O OPINIÃO CE demandou a Prefeitura de Fortaleza acerca das denúncias. A Gestão ainda não respondeu à demanda.

ANTIGAS SUSPENSÕES E EMENDAS PARLAMENTARES

No último mês de setembro, a Unidade já havia anunciado a suspensão das cirurgias marcadas para o mês. Conforme a instituição, à época, o motivo foi pelo atraso de quatro meses do pagamento dos profissionais e uma dívida de quase R$ 40 milhões. Tais atendimentos estavam previstos para serem paralisados ainda no início de agosto, mas o provedor da instituição, Vladimir Spinelli, fez nova solicitação de prazo para recursos extras. O pedido, no entanto, não foi atendido.

Segundo Spinelli, a dívida era fruto da desatualização da tabela de valores do Sistema Único de Saúde (SUS). “A tabela está desatualizada há mais de 20 anos. Para se ter uma ideia, uma consulta médica custa R$ 10,00. Outros procedimentos estão com valores defasados”, afirmou. Em nota, à época, a Coopanest, entidade responsável pelo serviço de anestesiologistas da Santa Casa, afirma que as atividades foram descontinuadas após falta de repasse desde junho.

Ainda no mesmo mês, deputados estaduais visitaram a unidade com objetivo de compreender a crise financeira enfrentada pela instituição e buscar soluções para amenizar o cenário, como a destinação de recursos de emendas parlamentares estaduais e municipais. Na visita, foram garantidos R$ 15,5 milhões em emendas, sendo R$ 15 milhões de parlamentares e cerca de R$ 500 mil de sete vereadores presentes na ocasião.

Conforme o presidente do Legislativo Cearense, Evandro Leitão (sem partido), a visita teve como foco “compreender e pactuar uma solução conjunta para amenizar os problemas financeiros enfrentados pela Santa Casa, instituição centenária que é referência na formação e no atendimento de paciente da Capital e do Interior do Ceará”.

O apoio também deve vir da bancada federal. Ainda em setembro, o coordenador da bancada, o deputado federal Eduardo Bismarck (PDT) visitou a Santa Casa de Misericórdia de Fortaleza e se reuniu com o provedor. O parlamentar se comprometeu a destinar uma emenda de sua autoria, no ano de 2024, para ajudar no custeio da instituição filantrópica; e a dialogar com os colegas cearenses no Congresso, para sensibilizá-los diante da causa, no sentindo de obter um valor geral a ser repassado. “Será fundamental este apoio, para que a gente possa contribuir com a saúde cearense”, disse.