Avaliado a cada três anos, o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) é responsável por analisar a proficiência de estudantes de todo o mundo em três disciplinas: matemática, leitura e ciências. Divulgado nesta terça (5) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o teste foi realizado pela última vez em 2022. Segundo os resultados, o Brasil manteve praticamente as pontuações estáveis em comparação com 2018. O Pisa mostra também que menos da metade dos alunos brasileiros sabem o básico em matemática e ciências.
De acordo com o levantamento, apenas 27% dos alunos brasileiros alcançaram o nível 2 de proficiência em matemática, considerado o patamar mínimo de aprendizado. A média dos países da OCDE na disciplina é 69%. Apenas 1% dos estudantes no país conseguiram os níveis 5 ou 6, considerados os mais altos, quando os alunos resolvem problemas complexos, comparam e avaliam estratégias. A média da OCDE é 9%. Já em ciências, cerca de 45% dos alunos chegaram ao nível 2, contra 76% da média da OCDE. Os estudantes com melhor desempenho somaram apenas 1%.
Quanto à leitura, metade dos estudantes no Brasil obtiveram o nível 2 ou mais. Apesar de melhor desempenho, o percentual ainda fica abaixo da média da OCDE, 74%. Nos patamares 5 e 6, o percentual foi de apenas 2%.
RESULTADOS
Neste último teste, o país alcançou 379 pontos em matemática, 410 em leitura e 403 em ciências. Em comparação com 2018, o desempenho foi inferior em todas as disciplinas. Na ocasião, os estudantes brasileiros conseguiram 384 pontos em matemática, 413 em leitura e 404 em ciências. Segundo o relatório acerca do desempenho dos alunos brasileiros, os resultados médios foram “praticamente os mesmos”. “Os resultados do Pisa têm-se mantido notavelmente estáveis durante um longo período: depois de 2009, nas três disciplinas, apenas foram observadas flutuações pequenas e, em sua maioria, não significativas”.
Com os resultados apresentados, o país segue abaixo da média dos países da OCDE em todas as disciplinas. Cada 20 pontos, segundo o Pisa, equivalem a um ano escolar. Confira a diferença entre o Brasil e a média dos membros da OCDE:
- Matemática: média de 472 pontos (+93), 4,65 anos escolares a mais que o Brasil;
- Leitura: média de 476 pontos (+66), 3,3 anos escolares a mais que o Brasil;
- Ciências: média de 485 pontos (+82), 4,1 anos escolares a mais que o Brasil.
No ranking geral, o Brasil ficou no 64º lugar entre as notas em matemática, 53º em leitura e 61º em ciências.
CENÁRIO GLOBAL E PANDEMIA
Segundo o relatório apresentado, a pandemia da covid-19 causou impactos negativos na educação dos jovens entre os dois últimos testes – com fechamento de escolas e adoção de aulas online. No entanto, ainda conforme o parecer da OCDE, a pandemia não pode ser considerada a única culpada. “As trajetórias educacionais foram bem negativas antes da pandemia chegar. Isso indica que as questões de longo prazo nos sistemas educativos também são culpadas pela queda no desempenho. Não se trata apenas de covid”.
Em comparação ao Pisa de 2018, o desempenho médio nos países da OCDE caiu dez pontos em leitura e quase 15 pontos em matemática. Em ciências, a média ficou estável. Conforme o relatório, estima-se que aproximadamente 25% dos jovens de 15 anos nos países membros da OCDE – 16 milhões – não atingiram o nível 2, ou seja, têm dificuldade em fazer cálculos com algoritmos básicos ou interpretar textos simples. Em nações como Alemanha, Islândia, os Países Baixos, Noruega e Polônia, as notas em matemática caíram 25 pontos ou mais entre 2018 e 2022.
Singapura liderou em matemática (575 pontos), em leitura (543 pontos) e em ciências (561 pontos), o que equivale que os estudantes têm de três a cinco anos de escolaridade a mais em comparação aos demais alunos dos países com a média da OCDE. Em apenas quatro locais, houve melhora nas três disciplinas entre as avaliações de 2018 e 2022: Brunei Darussalam, Camboja, República Dominicana e Taipé chinês.
Com informações de Agência Brasil.
