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Cagece apresenta relatório que isenta companhia de jogar água poluída no mar

O presidente da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), Neuri de Freitas, apresentou nesta segunda-feira (4) o relatório “Análise e descrição das ações realizadas pela Cagece nos locais com possíveis ligações irregulares citadas no relatório técnico da Seuma/PMF”. Ele destacou que, por meio dos veículos de comunicação, soube que a Prefeitura divulgou a informação dando conta que foram identificados 26 pontos de ligações clandestinas da rede de esgoto às galerias pluviais da Capital. As ligações irregulares, segundo o Município, seriam de responsabilidade da companhia. O documento apresentado pela Cagece aponta que nenhuma ligação à rede de drenagem é responsabilidade da companhia.

“A Prefeitura identificou ligações na drenagem, atribuiu à Cagece e saiu de cena. Nós temos nas cidades redes de drenagem que têm alguma interferência com as vias: redes de água e esgoto, redes de gás, redes de energia, redes de telefonia, mas todo e qualquer buraco que tem na cidade ou alguma deformação no pavimento, todo mundo diz que é da Cagece”, destacou o presidente da Cagece.

Neuri de Freitas informou que utilizou robôs para “entrar” nas galerias citadas pela Prefeitura e a constatação foi que, de 26 pontos citados como sendo locais de ligações clandestinas, existem, na realidade, 22. “Nenhuma dessas irregularidades é de responsabilidade da Cagece”, salientou Neuri de Freitas. “Na inspeção realizada foram encontradas duas tubulações antigas de manilha de barro vitrificado. A primeira delas era uma ligação que não foi realizada pela Cagece, visto estar totalmente fora dos padrões utilizados pela companhia, tratando-se, portanto, de ligação irregular feita por um particular. A ligação estava lançando esgoto na rede de drenagem e a Cagece procedeu o seu tamponamento e retirada”.

“A segunda tubulação é uma rede desativada, a qual não realiza lançamento na rede de drenagem. De toda forma, a Cagece procedeu a retirada dessa ligação também”, diz o relatório elaborado pelo corpo técnico da companhia.

O relatório será encaminhado à Prefeitura de Fortaleza e ao Ministério Público do Estado (MPCE), que deu prazo até quarta-feira (6), para que a Cagece enviasse o documento. Algumas ligações eram antigas, instaladas pela companhia que antecedeu à Cagece há mais de 80 anos. Nesses casos, a companhia lacrou as ligações para a rede de drenagem, entretanto Neuri de Freitas salientou que nenhuma delas contribuiu para jogar água poluída na rede do Município.

Em relação aos outros 10 pontos apresentados no relatório, foi possível constatar que se tratavam de lançamentos de águas pluviais, de piscinas ou de aparelhos de ar condicionado de estabelecimentos privados, sem qualquer relação com a Cagece, conforme o relatório. “Destaca-se que atualmente está em andamento uma obra de melhoria do sistema de esgotamento sanitário do Bairro Meireles, cujo o objeto é a substituição de coletores (DN 150 a 400mm) e ligações domiciliares executadas em manilha de barro, com a finalidade de evitar extravasamentos e renovar os ativos da referida área, por meio do contrato CTR 0046/2022”, aponta o documento ao qual o OPINIÃO CE teve acesso.

NOTIFICAÇÃO

No fim de novembro, a Agência de Fiscalização de Fortaleza (Agefis) iniciou a notificação a proprietários de imóveis com ligações irregulares e clandestinas na rede de drenagem da cidade. Conforme a Prefeitura, foram identificados vazamentos, bloqueios e conexões equivocadas na rede de drenagem nos bairros Joaquim Távora, Centro e Meireles. Conforme a gestão municipal, foram identificadas pelo menos 26 ligações indevidas da Cagece à rede de drenagem nas áreas da Praia de Iracema, Poço da Draga, e Riacho Maceió, no Papicu. Conforme a gestão municipal, já foram identificadas cerca de 300 ligação clandestinas na orla cearense.