Frente aos possíveis impactos que o Ceará pode sofrer com o evento climático do El Niño, o secretário estadual do Desenvolvimento Agrário, Moisés Braz (PT), afirmou que o Estado deve apresentar uma proposta para a mitigação dos efeitos negativos do fenômeno ao Governo Federal até o próximo dia 13 de dezembro. Para o território cearense, o El Niño deve impactar na diminuição do volume de chuvas. Nesta terça-feira (28), o governador Elmano de Freitas (PT) reuniu órgãos de gestão de recursos hídricos do Ceará para tratar sobre a situação.
Segundo o titular da pasta, o primeiro passo do plano é reunir todos os setores que tratam o assunto, como as instituições que atuam na questão hídrica, na agricultura e no meio ambiente. A princípio, conforme apontou, a discussão será ampliada para os municípios cearenses, para que a proposta levada ao governo Lula contemple as deliberações dos Executivos municipais do Estado. Como afirmou Braz, o governo Elmano vem se antecipando aos possíveis efeitos do El Niño.
“Não é comum um Estado com a recarga d’água deste ano já apresentar uma proposta preocupada em antecipação ao El Niño, como foi colocado pela Funceme [Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos]”, disse.
Neste ano, segundo dados da Funceme, o volume médio de chuva que já pôde ser observado no ano foi de 806,1 mm. O valor é 0,7% superior à média anual normal no Estado, de 800,6 mm. Com isso, como pontuou a instituição, não há preocupação para uma possível falta de recursos hídricos para 2024.
O QUE DIZ A FUNCEME
Ainda no evento, o presidente da Funceme, Eduardo Sávio, afirmou que o órgão foi aprimeira instituição a se preocupar com o assunto, lançando a temática já em janeiro de 2023. “A preocupação se tornou realidade mais ou menos em junho ou julho, e tem persistido até agora. Tudo indica que vai perdurar, o provável que durante toda a quadra chuvosa”.
“Isso deve ter impactos negativos, tanto no que diz respeito ao aporte dos reservatórios monitorados, como também no rendimento da agricultura”, completou.
Leia Mais | “Não temos boa notícia para as famílias do campo”: Presidente da Funceme alerta sobre os impactos do El Niño
Leia Mais | El Niño: secretário destaca ações para se preparar para o fenômeno no Ceará em 2024
Como pontuou Sávio, não há preocupação para a segurança hídrica da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Ele alertou, no entanto, que isso não significa tranquilidade. “Não sabemos como serão os anos seguintes, 2025, 2026 e 2027, pois sempre tem a probabilidade de uma seca ‘multianual’”, afirmou. “É muito importante que a população se conscientize do uso da água, deixe de lavar as calçadas ao invés de limpá-las. Essas pequenas ações podem resultar em grande economia quando olhamos numa escala maior, de Região Metropolitana”.
No entanto, como ele frisou, alguns municípios já se encontram em situações mais preocupantes. Para auxiliar com ações emergenciais a tais cidades, o secretário pontuou políticas como a perfuração de poços, adutoras emergenciais e a utilização de carros pipas, para levar a água da sede do município aos distritos.
“A luta da seca ‘multianual’ mais recente foi tão grande que são vários os municípios ainda com preocupação. Nós classificamos em bandeiras: a vermelha de alta criticidade; amarela de moderada; e verde de leve, mas uma preocupação leve que preocupa também. Esse monitoramento está sendo realizado e as soluções já foram apontadas alternativas para a insegurança hídrica”.
