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Leitura Mais Arte #8

Inclusão, é preciso ser exemplo

Num fim de tarde comum, de um dia comum, observei uma criança com sua cuidadora brincando numa praça. A criança não tinha características físicas aparentes que a diferenciasse das demais, no entanto, não se aproximava de ninguém. Fiquei acompanhando meus filhos e continuei observando. Pensei que talvez fosse uma criança mais reservada, tímida, quem sabe, ou que fosse nova naquele ambiente. Mas algo me incomodava. Pedi ao Gabriel que convidasse o garotinho para brincar. Ele se aproximou e perguntou: “qual seu nome?” O menino olhou, mas não respondeu e, rapidamente, se voltou para a cuidadora que respondeu ao Gabriel “Ele não fala”. Gabriel olhou para mim e seguiu rumo ao escorregador.

Continuei observando a criança, que empurrava um carrinho na areia. Pensei em me aproximar, mas preferi aguardar, para não ser invasiva. Não demorou muito e o garotinho seguiu pela praça e se foi. Várias reflexões vieram depois daquele dia. A principal foi: qual o caminho para trabalhar a inclusão e como conversar com meus filhos sobre diferenças sem trazer aos olhos uma visão complexa de algo que para eles pode ser muito simples?

O que é inclusão?

O primeiro passo para entender e praticar a inclusão é saber, de fato, o que ela significa. Embora o conceito seja amplo e envolva muitas nuances, a base da inclusão é simples e de fácil compreensão. “Inclusão é possibilitar oportunidades e condições para todas as pessoas, é pensar de forma empática, é reconhecer e respeitar as diferenças”, explica a psicopedagoga Juliana Bertoldo, especialista em educação inclusiva e AEE.

Inclusão  na prática

O caminho para trazer o conceito de inclusão para o dia a dia das crianças é o exemplo. Isso mesmo! Crianças reproduzem comportamentos de pessoas que têm como referência.  Juliana Bertoldo destaca que o núcleo inicial, composto por família e escola, é responsável pelas principais referências. “Pais, mães e professores com pensamentos e ações inclusivas, ajudarão na formação de cidadãos mais inclusivos. Ações educativas vivenciadas diariamente e situações lúdicas planejadas como rodas de conversas, contação de histórias e atividades colaborativas irão proporcionar uma imersão, compreensão, reflexão e conhecimento de realidades e condições diferentes, possibilitando o desenvolvimento progressivo de uma postura empática e de respeito à neurodiversidade”.

A psicopedagoga considera que há avanços significativos na inclusão, como a garantia de acesso aos espaços de lazer, esportes, cultura e educação. Há uma preocupação com a acessibilidade e adaptações para atender a condição específica dentro de cada individualidade. Mas ainda não vivemos o cenário ideal. “Quando falamos da inclusão propriamente dita, ainda sinto falta de ações e projetos que criem oportunidades e tratem a inclusão como algo natural e possível de acontecer. Agora, a presença constante do tema inclusão está construindo a base que precisamos para atingir um futuro mais próximo do ideal”.

Primeira infância

Estudiosos e especialistas no universo infantil destacam fortemente a importância da primeira infância. É nos primeiros anos de vida que se constrói a base sólida que vai sustentar tudo o que estar por vir na adolescência e na vida adulta. Ter uma sociedade inclusiva passa necessariamente pela formação das crianças hoje. “O mundo não vai se tornar inclusivo de uma hora para outra, pois é um processo que envolve diversas mudanças culturais, pedagógicas, dentre outras. Se trabalharmos a inclusão de forma orgânica e prática, visando uma aprendizagem colaborativa, com valores e atitudes empáticas de respeito à diversidade, certamente iremos ter no futuro adultos mais conscientes, educando as futuras gerações para um mundo mais inclusivo”.

Atitude

Voltando ao caso citado no início desta matéria, qual seria a conduta adequada? Como agir em situações cotidianas levando em conta a formação de cidadãos inclusivos? Juliana explica que a dificuldade na comunicação é uma das barreiras enfrentadas por pessoas não verbais. É o caso de crianças com TEA (Transtorno do Espectro Autista), por exemplo. “Podemos utilizar outras formas de comunicação, iniciando a interação com um brinquedo, utilizando contato visual e gestos como estender os braços, abrir as mãos, bater palmas, cantarolar e assim contribuir gradualmente na construção de uma base de repertórios comunicacionais para estabelecer a interação.

Essa situação envolve crianças e o brincar é a melhor maneira de iniciar um contato natural, eficaz e inclusivo”.

 

“Precisamos entender que existem diversas formas de comunicação e que o princípio da inclusão é remover barreiras”

Por Juliana Bertoldo Barreto

Pedagoga, Psicopedagoga clínica e institucional especialista em educação inclusiva e AEE

 

 

 

 

GABRIEL INDICA

O que mais me chamou atenção nesse livro foi a capa. A imagem é bem realista. E, a medida que fui folheando, foi ficando mais legal. Tive a sensação de estar dentro das páginas.

Quando a mamãe começou a ler percebi que o menino da história, o Dong Dong, brincava sozinho. Pensei logo: será que ele não tem amigos? Era isso mesmo! O garotinho preferia brincar sozinho. Fiquei atento à leitura.

O menino vai numa loja comprar bolinhas de gude e acaba vendo um saco de balas coloridas. Quando come a primeira, começa a ouvir vozes. De repente, o sofá está falando com ele. Quando come outra bala, começa a conversar com o cachorro. Depois, ouve o pai e a avó. Até que o garoto percebe que ele mesmo precisa falar e decide convidar um amigo pra brincar.

Livro: Balas mágicas

Autora Ilustradora:
Heena Baek

Editora:
Companhia das Letrinhas

Onde encontrar:
livrarias e lojas virtuais.

Faixa de preço:
entre R$ 40 e R$55

O livro traz reflexões sobre solidão, timidez e sobre a necessidade de se fazer ouvir, de se expressar. Uma leitura especial para conversar com as crianças sobre amizades e relações entre o ser humano e o mundo que o rodeia.

 

 

 

Do Bom Jardim ao Cinema

O filme infantil “Os maluvidos”, dos diretores Josenildo Nascimento e Gislandia Barros, que foi produzido e contou com atuação de moradores do Bom Jardim, bairro localizado na periferia de Fortaleza, é um dos destaques da 33ª edição do Festival Ibero-americano de Cinema – Cine Ceará.

O filme fala sobre as  travessuras de Malu e seus amigos no bairro do Bom Jardim. No enredo, a protagonista vê sua amiga Anastácia sendo levada pelo vizinho Edgar, suspeito de ser o bicho-papão. Então, decide reunir a turma e, juntos, bolam um plano para resgatá-la.

Confira datas e horários

Entre os dia 25 de novembro a 10 de dezembro, na Mostra Cine Ceará no Itaú Cultural Play;

Dia 25, às 14h, no Cinema do Dragão, durante a Mostra Olhar do Ceará;

Dia 27, às 14h30, no Cineteatro São Luiz, na Mostra O Primeiro Filme a Gente Nunca Esquece.

A 33ª edição do Festival Ibero-americano de Cinema – Cine Ceará acontece de 25 de novembro a 1º de dezembro de 2023, em Fortaleza, com toda a programação gratuita. Informações sobre a retirada de ingressos estão disponíveis no site www.cineceara.com

 

DICA DE ATIVIDADE
Rena de Natal

Natal está chegando e há muitas possibilidades de envolver as crianças com o espírito natalino, fazendo com que elas mergulhem nesse universo de fé e encantamento que é o nascimento de Jesus. Convide a sua criança para fazer uma rena de papel.

Material
1 rolo de papel higiênico
1 pompom vermelho
1 haste de chenile
Fita
Olhinhos
Cola
Caneta preta

Como fazer
Corte o rolo de papel ao meio. Passa a haste de chenile por ele e dobre as pontas para formar o chifre da rena. Depois cole os olhos e o nariz (pompom) e desenhe a boca. Por último passe a fita pela haste e pendure a rena na árvore de natal.

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