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Carlos Mesquita deixa liderança de Sarto após polêmicas e de chamar deputados de “babacas”

Foto: Reprodução CMFor

O vereador Carlos Mesquita (PDT) deixou definitivamente a liderança da gestão do prefeito José Sarto (PDT) na Câmara Municipal de Fortaleza. A informação foi confirmada ao OPINIÃO CE nesta quinta-feira (23). O parlamentar vem se envolvendo em constantes polêmicas e chegou a chamar os deputados estaduais de “babacas”. Nesta quinta-feira (23), em sessão plenária na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), parlamentares opositores e aliados a Sarto debateram a polêmica.

Em sessão plenária na CMFor na manhã desta quinta, Mesquita havia afirmado que continuaria na liderança de Sarto. “Enquanto eu for líder, serei até o meu último minuto, 100% Sarto”.

Em retratação, Mesquita disse que “do mesmo jeito que o Cid [Gomes] perdeu a cabeça, eu também perdi”. Segundo o vereador, ele apenas replicou a fala do senador, e questionou o motivo de não ter havido a mesma comoção com as aspas de Cid. “Por que não interpelaram ele, por que é senador? Por que tem poder? Por que é um cara honrado, até que se prove o contrário?”, perguntou. “Nunca foi feito nada com ele”, completou.

Ainda durante fala no Legislativo municipal, entretanto, chamou os deputados estaduais de “lagostistas”, em referência ao episódio em que o deputado estadual De Assis Diniz (PT), líder do PT na Alece, foi visto comendo lagosta em Icapuí ao lado do deputado federal e líder do governo Lula na Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT). Em entrevista ao OPINIÃO CE, De Assis defendeu que não se tratava de ostentação, mas sim para anunciar o “Festival da Lagosta”, que aconteceria no fim de semana seguinte.

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DISCUSSÃO NA ALECE

Opositores de Sarto, petistas e pedetistas que não compõem a ala do gestor da Capital repudiaram as falas do vereador. Larissa Gaspar (PT), deputada citada durante a fala de Mesquita, comentou sobre o assunto. “Após apontarmos a gravidade numa fala do ex-líder do Governo Sarto sobre cortes de recursos para tratamento de pacientes oncológicos de forma proposital, sobe à tribuna e me chama de babaca, atingindo também a outros colegas deputados. Essa é a marca daqueles que estão à frente da gestão de Fortaleza”.

Para a parlamentar, as palavras do vereador, além de machistas, demonstram “desespero”, ao tentar defender uma gestão que ela classifica como desastrosa. “Já falei várias vezes sobre o caos que está a saúde pública de Fortaleza. Hospitais e emergências fechados, postos de saúde sucateados, faltando medicamentos. E estamos falando de uma capital governada nos últimos anos por dois prefeitos médicos. Quando não se tem argumentos para defender o desastre que está instalado na saúde, se usa de ataques contra quem aponta os erros”, acrescentou. Ainda sobre o assunto, Larissa comparou as ações voltadas para a saúde pública entre o Governo Federal e estadual ao Governo de Fortaleza.

“Aproveito aqui para parabenizar o governador Elmano e o presidente Lula, que, em poucos meses, já fizeram tanto pelo povo. Retomada do programa Mais Médicos, da Farmácia Popular, e o governo estadual ainda lança o Plano Oncológico para tratamento dos cearenses com câncer. É assim que se faz um governo que cuida e pensa no povo. Não é criando picuinha, atacando ou tentando transferir responsabilidades”, afirmou.

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Em aparte, o deputado Sargento Reginauro (União) classificou como “agressivo” e “reprovável” a atitude do vereador. “Chamar os deputados de babaca numa sessão da Câmara é grave e a própria Casa precisa questionar esse tipo de atitude por parte do vereador”. Reginauro completou, afirmando que não deve haver partidarização acerca da saúde pública. “Precisa ser trabalhado com a união de todos nós”, opinou. O deputado Romeu Aldigueri (PDT), líder de Elmano, se solidarizou com a colega deputada e demais deputados. “Lamento demais as atitudes desta gestão de Fortaleza. Está totalmente perdida. Uma fala desastrosa e que mostra a pequenez daqueles que estão à frente da prefeitura”, avaliou.

ALIADOS DE SARTO TAMBÉM COMENTAM O TEMA

O deputado estadual Claudio Pinho (PDT), aliado de Sarto, propôs trocar o pedido de moção de repúdio por pedido de retratação do vereador. “Qual a mensagem que a gente passa pela sociedade cearense?”, questionou Cláudio Pinho. “Conheço o vereador Carlos Mesquita, convivi com ele. Não estou fazendo a defesa, mas acredito que ele foi infeliz em usar esse termo. No entanto, acho que a gente poderia apresentar outro pedido, que não seja uma nota de repúdio. Muito radical“, defendeu Antônio Henrique (PDT), que foi presidente da Câmara Municipal de Fortaleza (CMFor). “Se excedeu, que ele possa explicar”.

“A fala do Carlos Mesquita não reflete a figura do prefeito José Sarto. Pelo que me consta, o Mesquita não está mais na liderança do Sarto”, disse Antônio Henrique.

Júlio César Filho (PT) discordou dos parlamentares. “De maneira irresponsável, o líder do prefeito joga isso no plenário. Mais vergonhoso é que ele coloca em saia justa o prefeito que, sem opção, o demite para poder dar uma resposta à população“, apontou. “Não podemos aceitar que, de forma misógina, o vereador Carlos Mesquita cite a deputada Larissa Gaspar e, de forma genérica, nos chame de babacas”. Os deputados estaduais, ao fim, aprovaram um requerimento solicitando pedido de desculpas de Carlos Mesquita.

ENTENDA A SITUAÇÃO

O episódio aconteceu na sessão plenária nesta quarta (22) na CMFor. Uma semana antes do ocorrido, no entanto, o então líder de Sarto já havia gerado um mal-estar com aliados do prefeito, ao dizer que a Prefeitura havia deixado de repassar recursos para o Centro Regional Integrado de Oncologia (Crio) de forma proposital para “ver se o Estado se mancava e pagava a parte dele”.

No plenário, o parlamentar continuou sua fala, afirmando que se não tivesse pontuado que a Prefeitura de Fortaleza cortou os repasses ao Crio propositadamente, o Governo do Estado não teria anunciado os R$ 270 milhões para o tratamento oncológico. Mesquita lembrou a situação em que o senador Cid Gomes (PDT) teria proferido a frase o “Lula está preso, babaca”, e direcionou aos parlamentares do Legislativo cearense: “Dizer para aqueles da Assembleia, Larissa [Gaspar] e companhia limitada, o Sarto é prefeito, babacas, não tem obrigação com oncologia como era para ser não”.

O valor de R$ 270 milhões para a interiorização do tratamento de câncer, apresentado pelo governador Elmano de Freitas (PT), no entanto, foi anunciado ainda antes da fala do vereador sobre o Crio.