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Os inocentes da guerra

Não bastasse a guerra entre Rússia e Ucrânia, a humanidade acompanha o surgimento de uma nova guerra, agora entre Israel e Hamas. Em situações de barbárie e de irracionalidade, protagonizadas pelos que têm poder, as crianças são as que mais devem sentir e sofrer. São os inocentes da guerra. Ainda não entendem bem e completamente o que se passa diante delas. São profundamente atingidas em seus desenvolvimentos por conflitos bélicos, que geram mortes em massa, destruição e traumas.

Na Ucrânia, 484 crianças foram mortas e 992 ficaram feridas, desde o início da guerra, conforme dados da Procuradoria Geral do país. Mais de 3500 crianças palestinas morreram em Gaza e mais 6800 foram feridas, desde o dia 7 de outubro, segundo o Unicef. O conflito bárbaro já deixa mais de 10 mil mortos e mantém uma multidão em condições desumanas de fuga de casa e de escassez do básico para viver, em decorrência dos bombardeios.

Um vídeo que circula nas redes sociais, mostra o que talvez seja um profissional da saúde, limpando o sangue que escorre de uma bebê, que aparenta ter meses de vida. Atingida por algo, necessitando de cuidados médicos, o olhar atônito da inocente sensibiliza a quem quer que assista ao vídeo, que ainda seja capaz de sensibilidade perante o absurdo.

A imagem de um menino sírio morto numa praia da Turquia, que circulou o mundo em 2015, não pode ser esquecida. Essa foto foi símbolo da crise migratória, dos que saem do Oriente Médio e da África para tentar viver na Europa. Um inocente, dentre tantos, foi fotografado e eternizado na memória de todos que ainda se indignam.

É difícil entender como a humanidade, por um lado, é tão tecnológica, avançada, criadora de robôs, de Inteligência Artificial, e, por outro lado, consegue ser tão retrógrada e apelar para armas e destruição de outra parcela sua, que é semelhante. Mais difícil ainda é conceber a incapacidade de órgãos internacionais em conter e em cessar tal selvageria.