O pré-candidato à Prefeitura de Fortaleza e atual secretário de Saúde de Maracanaú, na Grande Fortaleza, Capitão Wagner (União Brasil), em entrevista exclusiva ao OPINIÃO CE, revelou que abriria mão da sua candidatura ao Paço Municipal no próximo ano se fosse apresentado um “projeto mais viável” que o dele. Wagner acredita que é na base do diálogo que se faz política, mesmo que seja com a oposição de seu partido. Para a disputa em 2024, o ex-deputado federal descarta o radicalismo, “de esquerda ou de direita”, e defende um tom pacificador entre os candidatos.
“Tenho dito muito que eu até abriria mão da minha candidatura se fosse me apresentado um projeto mais viável do que o meu. Tem que ser um projeto onde o candidato tem a capacidade de agregar mais do que tenho, onde o candidato tem a maturidade para vir para o debate sem baixar o nível, sem gritar com ninguém, sem usar palavrão na campanha. Então, não há como imaginar que um candidato radical, de esquerda ou de direita, vencerá isso em Fortaleza. Porque Fortaleza é uma cidade culta. É uma cidade onde as pessoas têm cultura, têm acesso à informação. E as pessoas querem alguém equilibrado”.
Ele também destacou a necessidade de respeito entre adversários políticos e a importância da conversação para o sucesso nas eleições. O pré-candidato mencionou que tem buscado dialogar com diferentes grupos políticos e líderes, citando encontros com o vice-prefeito Élcio Batista (PSB) e membros do PDT, enfatizando que, embora haja diferenças ideológicas, o respeito mútuo é fundamental na política.
“Acho que, por mais que a gente seja adversário, a gente tem que ter respeito. A gente não pode dizer que é inimigo de ninguém. Inimigo é um termo muito bélico, é um termo de guerra, e a gente não é inimigo, a gente é adversário político, tem projetos diferentes. Respeito meus adversários, não concordo com eles, mas respeito. O que a gente puder dialogar para construir um projeto que seja bom para a cidade, consertando os erros e avançando onde se acertou, faremos”.
Quanto à possibilidade de aliança nas eleições, Wagner sinalizou que, em alguns municípios, isso pode acontecer naturalmente, mas em Fortaleza, a eleição será “altamente competitiva”, com múltiplos candidatos de diferentes partidos, como o PL, o Novo, que não pretendem fazer aliança no primeiro turno. Por outro lado, o pré-candidato enfatizou a importância das alianças e da composição no segundo turno, ao lembrar que é uma “estratégia decisiva em eleições majoritárias”.
DESAFIO DA SEGURANÇA
Acerca do papel de enfrentamento à violência pensado para Fortaleza e como sua gestão trataria deste tema, Wagner frisou que o primordial deve ser a prevenção. “Na hora que os nossos jovens perdem a capacidade de sonhar, em Fortaleza, infelizmente, a nossa juventude está perdendo a capacidade de sonhar, sonhar em ser médico, sonhar em ser professor, sonhar em ser advogado, sonhar em ser empreendedor, infelizmente, a sociedade está fadada a uma guerra que já está iniciada aqui na cidade de Fortaleza”, criticou.
Wagner citou o caso recente do crime ocorrido no bairro Messejana, onde suspeitos invadiram uma casa e mataram um homem e uma criança de colo. Segundo ele, a barbárie foi uma resposta a outro crime que aconteceu na Areninha do local, onde homens saíram disparando e tiraram a vida de um menino de 14 anos, e baleado outros dois, respectivamente de 12 e 13 anos.
O secretário compara a segurança de Fortaleza com a Faixa de Gaza. “Hoje, quem mora nessas comunidades vive o que está acontecendo lá na Faixa de Gaza, sem exagero. No Pirambu, há duas semanas, arrancaram a cabeça de duas pessoas. Então, é muito semelhante ao que está acontecendo na guerra entre Israel e o Hamas. Só que quem mora aqui no Meireles, quem mora na área nobre da cidade, não sabe o que está acontecendo lá. Só sabe quem vive na comunidade”, lamenta.
Entre as medidas que adotaria como prefeito para minimizar a situação, em parceria com o União e o Estado, Wagner destacou uma tecnologia que está à disposição do Governo do Estado, porém, segundo ele, não vem sendo usada, que seria a câmera com leitura facial. “Na hora que o Governo do Estado decidir usar essa câmera, ele terá, primeiro, a capacidade de evitar que o crime aconteça. Essa é uma ação preventiva extremamente importante, onde a Prefeitura pode ser aliada do Governo do Estado e do Governo Federal. O Governo Federal tem linha de crédito para esse tipo de política”, conclui Wagner.
AVANÇOS EM MARACANAÚ
Ao OPINIÃO CE, Wagner também defendeu um conjunto de melhorias em Maracanaú. À frente da pasta da Saúde, o titular destacou novidades que começarão a ser implantadas a partir de novembro, como um programa inovador para, segund ele, melhorar o desempenho dos alunos, especialmente aqueles com dificuldades de visão. “A Prefeitura de Maracanaú vai oferecer exames oftalmológicos para todos os alunos da rede municipal. Se for identificada a necessidade de óculos ou cirurgia, a Prefeitura arcará com esses custos. O objetivo é garantir que alunos com problemas de visão tenham um bom rendimento escolar”.
Outro programa a ser lançado contará com a parceria do Instituto da Primeira Infância (Iprede), por meio do projeto Conecta, que atua no desenvolvimento de crianças, de até 12 anos, com Transtorno do Espectro Autista (TEA). “Serão oferecidas terapias baseadas em robótica e terapia de última geração para cuidar de crianças autistas. A demanda tem aumentado muito nessa área. É importante a gente ampliar o número de terapias. Então, outra novidade que já deve iniciar agora no mês de novembro”.
Entre os problemas na saúde em Maracanaú que são semelhantes aos que ocorrem em Fortaleza e que ele, defende, poderia melhorar numa gestão como prefeito, Wagner mencionou a diferença entre os serviços de saúde odontológica de emergência. “Enquanto Maracanaú oferece atendimento odontológico durante a madrugada, nos finais de semana e feriados, Fortaleza não oferece esse serviço na rede pública. Essa discrepância pode ser um problema a ser resolvido em uma futura gestão em Fortaleza”. O secretário destacou que, em Maracanaú, a Prefeitura conseguiu ampliar o horário de funcionamento dos postos de saúde, um avanço que ele defende que seja trazido para Fortaleza.
CENÁRIO
As definições de nomes para disputar a Prefeitura de Fortaleza já começam a se desenhar. Na última semana, PT de Fortaleza optou por adiar a definição após pedido do governador Elmano de Freitas (PT). O martelo deve ser batido até março de 2024. O motivo é a busca pelo consenso, ainda não definido pela legenda no âmbito municipal.
Sob a presidência do vereador e deputado estadual em exercício Guilherme Sampaio, a executiva do PT estava com agenda intensa de discussões desde o início da última semana, com encontro mais extenso na quarta-feira, dia 1º. Para o próximo sábado (11), está marcado um novo encontro do PT Fortaleza.
A sigla já tem quatro pré-candidatos: Guilherme Sampaio, Luizianne Lins, Larissa Gaspar e Artur Bruno. O presidente da Assembleia Legislativa do Ceará, Evandro Leitão, também é um nome cotado pela agremiação. Leitão deixou o PDT e ainda define seu futuro partidário. Ele é disputado pelo PT e pelo PSB de Eudoro Santana, pai de Camilo Santana, ministro da Educação e atual principal liderança política da esquerda cearense. O PDT, por sua vez, indica a tentativa de reeleição do atual atual prefeito, José Sarto. Internamente, no entanto, alguns lideranças apostam em uma eventual candidatura do ex-prefeito Roberto Cláudio, que nega a pretensão de disputar o Paço Municipal.
Já na ala de direita e centro-direita, onde Wagner está posicionado, os nomes mais fortes cotados para a disputa são do deputado federal André Fernandes e do deputado estadual Carmelo Neto, ambos do PL. A decisão, conforme adiantou o OPINIÃO CE em agosto deste ano, terá intervenção do ex-presidente Jair Bolsonaro. Além deles, outro nome que vem ganhando forças é do senador Eduardo Girão, do Novo. O parlamentar já revelou, em entrevista ao OPINIÃO CE, que seu nome está à disposição da sigla. O Novo tem um encontro agendado em Fortaleza para este mês, quando deve reunir nomes nacionais e locais, incluindo o senador.
Texto de Priscila Baima, Anderson Alves e Rodrigo Rodrigues
