A celebração dos 105 anos de história do Fortaleza, neste mês de outubro, marca a consagração da evolução e crescimento do clube, tanto nas quatro linhas quanto na expansão empresarial. Nada disso teria dado certo, se no dia 18 de outubro de 1918, Alcides Santos não tivesse criado a equipe tricolor. As cores azul, vermelha e branco são uma homenagem à França, país que Alcides morou. Mas antes de tudo se tornar o que conhecemos, os projetos falharam.
O primeiro clube criado por Alcides Santos, em 1912, era um Fortaleza, mas que encerrou as atividades. Depois, a segunda fundação, em 1915: Stella Foot-Ball Club. O nome homenageou uma escola que existiu na capital cearense, de origem suíça, onde filhos de grandes nobres da cidade passaram a vida escolar. O clube tem importante relevância para o Tricolor de Aço, tanto pela presença de Alcides na formação de ambos, quanto na atualidade, onde a leoa mascote se chama “Stella”. Apesar das ligações, as duas são agremiações distintas, sendo a Stella inspiração para a origem do Fortaleza Esporte Clube.
Alcides Santos é considerado um dos maiores desportistas cearenses, pela colaboração no futebol cearense, estando à frente do Fortaleza durante os primeiros 20 anos do clube. A homenagem pela importância de Alcides na trajetória do Tricolor é a nomeação do “Centro de Excelência Alcides Santos”, localizado no bairro Pici, onde os atletas treinam regularmente, além do espaço de lazer, vestiários, sala de troféus, entre outras áreas, dando mais comodidade aos funcionários do clube.
A mudança de nome do Centro de Excelência veio em 2019. Quando inaugurado, em 1962, era estádio. Alguns jogos importantes aconteceram no gramado, como pela Copa do Brasil, com o Leão do Pici vencendo o Guarani de Campinas/SP, pelo placar de 2 a 0, com gols de Tatu e André Turatto. Outro espaço importante é o Centro de Treinamentos Ribamar Bezerra. O clube planeja desenvolver ações sociais de aproximação da comunidade no CT, aproximando os jovens do esporte, com revelação de novos talentos para o futebol.
Da Série C à Final da Sula
Na trajetória, o período mais crítico do Fortaleza foram os anos na Série C. O clube bateu na trave algumas vezes antes de conseguir o sonhado acesso. Parecia uma sina sem fim, até chegar em 2017 e virar a página. A conquista foi contra o Tupi/MG. No primeiro jogo, venceu por 2 a 0, no Castelão. Em Minas Gerais, foi derrotado por 1 a 0, mas com o placar agregado, garantiu o retorno para a Série B. Terminou a competição como vice-campeão da Terceirona, após perder para o CSA/AL.
Em 2018, voltou para a Série B, tendo como treinador Rogério Ceni, uma aposta que deu certo. O Leão do Pici conquistou o primeiro título nacional, se tornando campeão brasileiro com uma campanha histórica. Em 2019, o ‘Laion’ foi campeão cearense, conquistou a Copa do Nordeste e tinha o desafio de disputar a Série A do Brasileirão. Naquele ano, encerrou a competição em 9º lugar, conseguindo uma vaga na Sul-Americana. Em 2020, além da conquista do bicampeonato cearense, o Tricolor de Aço estreou em competições internacionais oficiais, a Sula, mas foi eliminado na primeira fase.
ERA VOJVODA
Na trajetória recente do Leão, 2021 ficou marcado pelas conquistas e chegada do técnico Juan Pablo Vojvoda, que garantiu uma vaga histórica na Libertadores da América, quando terminou a Série A em 4º lugar. Com o treinador, o Fortaleza também teve a 3ª melhor campanha da Copa do Brasil e foi tricampeão cearense.
Em 2022, também sob comando do argentino, o Tricolor arrastou o tetracampeonato cearense e o Bicampeonato da Copa do Nordeste — invicto nas duas competições. O Leão chegou, naquela edição, nas quartas de final da Copa do Brasil e oitavas de final da Libertadores. No Brasileirão, porém, vivenciou momentos críticos, mas conseguiu se recuperar. O ‘Laion’ terminou o primeiro turno da Série A na lanterna da competição. A diretoria manteve Vojvoda no comando, fez contratações pontuais e conseguiu terminar o Brasileirão em 8º lugar, garantindo vaga na Pré-Libertadores de 2023.
Neste ano, apesar de ter iniciado a temporada levantando a taça de pentacampeão estadual, não avançou na fase preliminar da Libertadores, indo parar automaticamente na Sul-Americana – frustração que logo se transformou em alegria para a nação tricolor. Na competição, o Fortaleza quebrou tabus e venceu uma equipe argentina pela primeira vez no país vizinho, ultrapassou gigantes do futebol da América do Sul, como o Libertad e o Corinthians, até se tornar finalista da competição, título que será decidido neste sábado (28), no Uruguai.
GESTÃO DE QUALIDADE
O futebol não é construído apenas nas quatro linhas. Uma gestão bem organizada, com diretoria bem estruturada e alinhamento, reflete no resultado que o torcedor espera em campo. No Fortaleza, dois nomes se destacam: Eduardo Girão, hoje, senador; e Marcelo Paz, atual presidente do clube.
Eduardo Girão presidiu o Fortaleza entre junho e novembro de 2017. Apesar da curta passagem, deixou um marco na história do clube: a campanha que deu o acesso do Leão do Pici para a Série B, depois de oito anos. “Acredito que foi um trabalho em conjunto, sem sobressair ninguém. A participação de muitos, com consciência, foi despertada, para que a gente criasse uma união dentro do clube. Estava muito dividido, tinha problemas de diretoria e dentro da diretoria, problemas de diretorias anteriores. As coisas não estavam muito alinhadas, elenco, com comissão técnica, com funcionários. E a gente foi conversando um a um, reunindo, inclusive, ex-diretores, ex-presidentes e até o caso de ex-jogadores. [Tudo] com muito respeito ao adversário, humildade, muita fé, muito trabalho e com ética”, recordou o hoje senador Eduardo Girão em entrevista ao OPINIÃO CE.
Após Girão deixar a presidência e seguindo a hierarquia do clube, Marcelo Paz, então 1º vice-presidente, ficou à frente do clube. “Fiz questão de escolher como meu primeiro vice o Marcelo Paz. Eu já conhecia o Marcelo de outras jornadas. Um amigo, uma pessoa que fiz questão de colocar como primeiro vice. O Marcello Desidério [que presidiu o Tricolor entre maio e junho de 2017, na transição entre os ex-presidentes Jorge Mota — janeiro de 2015 e abril de 2017 — e Eduardo Girão] também foi muito importante e eles sequenciaram a filosofia e a incrementaram. À torcida do Fortaleza, no início, que estava um pouco temerosa, eu disse: ‘Fiquem tranquilos que o Marcelo Paz conhece de futebol e vai sequenciar o projeto que a gente não estará totalmente de fora.’ O Marcelo, com o conhecimento que ele tem do esporte, implementou e continuou o trabalho, com profissionalismo”, explicou Girão.
Marcelo Paz assumiu em 2017 e foi reeleito em 2021. Quando chegou ao clube, em 2015, como diretor de futebol, foi bastante cobrado pelos resultados em campo. Marcelo faz um comparativo: “São momentos bem distintos, em todos os aspectos, numa questão específica da relação com a torcida. Quando cheguei no clube, em 2015, como diretor de futebol, o Fortaleza estava num momento esportivo ruim, na Série C, o nosso rival, Ceará, era tetracampeão estadual e o torcedor do Fortaleza estava magoado, machucado, triste, um pouco desesperançoso e qualquer membro da diretoria, naquele momento, era um alvo para isso. […] Eu era muito jovem, tinha 31 anos, então tudo isso, para mim, foi muito aprendizado, foi criar muita casca também, para poder suportar o que vinha pela frente, porque futebol não são só flores”, relatou.
A prova de um trabalho bem feito, foi a maneira como ele seguiu tocando o clube, considerado um case de sucesso, não só em campo. O Leão também vive uma ampliação das lojas, com materiais oficiais espalhadas pelo Estado, a reestruturação do Centro de Excelência Alcides Santos, ampliação do sócio-torcedor, criação do programa “Clube da Garotada”, voltado para crianças torcedoras do Laion, entre outras campanhas.
O torcedor, que em 2015 protestou contra a chegada de Paz, é quem mais reconhece o trabalho desenvolvido por ele, estendendo o reconhecimento para o grupo, como pontuou a torcedora Larissa Monteiro. “Fortaleza tem uma diretoria incrível, o que o Marcelo Paz vem realizando dentro do clube é extraordinário. O trabalho do Vojvoda é magnífico. A união dos jogadores é essencial, não tinha como ser diferente. Um conjunto de muito trabalho e dedicação, dentro e fora de campo. O resultado não podia ser diferente desse que estamos vivendo”, elogiou.
