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Número de idosos no Ceará cresce 42,2% em 12 anos

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o número de idosos no Ceará cresceu em 42,2% no intervalo de 12 anos entre os dois últimos Censos, em 2010 e 2022. No primeiro ano do período histórico, o número de pessoas com 65 anos ou mais era de 641.556 (7,6% da população). Já no último censo, este número chega a 912.559 (10,37% da população). No período, enquanto a população de idosos aumentou em quase 30%, a população geral do Estado teve um crescimento de 4% (8.452.391 em 2010 para 8.794.957).

Em âmbito nacional, o número de idosos cresceu em 57,4% no intervalo. Se em 2010, o número de pessoas com 65 anos ou mais era de 14.081.477 (7,4% da população), em 2022, tal dado chegou a 22.169.101 (10,9% da população). Além do crescimento no número de idosos, o período também mostrou a diminuição da parcela da população de até 14 anos, que passou de 24,1% em 2010 para 19,8% em 2022. Segundo Izabel Marri, gerente de Estudos e Análises da Dinâmica Demográfica do IBGE, tal fato ocorreu devido à redução da fecundidade e dos nascimentos no Brasil. Ainda conforme a pesquisadora, os dois índices contribuíram para a mudança no formato da pirâmide etária do país, que vem sendo visível desde os anos 1990. No censo de 1980, apenas 4% da população brasileira possuía 65 anos ou mais. Já entre as crianças até 14 anos, no ano, este índice era de 38,2%.

“O que se observou ao longo dos anos foi a redução da população jovem, com aumento da população em idade adulta e também do topo da pirâmide até 2022”.

IDADE MEDIANA

Com a mudança da pirâmide etária, consequentemente, a idade mediana da população também aumentou. Durante os 12 anos, este aumento foi de 6 anos, chegando aos 35 no último censo. Junto ao Centro-Oeste, o Nordeste é a segunda Região com a idade mediana mais jovem, de 33 anos. Em 2010, no entanto, tal índice era de 27 anos, sete a menos do que o observado em 2022. Confira a idade média da população por Região:

  • Norte: 24 em 2010 para 29 em 2022;
  • Nordeste: 27 em 2010 para 33 em 2022;
  • Centro-Oeste: 28 em 2010 para 33 em 2022;
  • Sul: 31 em 2010 para 36 em 2022;
  • Sudeste: 31 em 2010 para 37 em 2022.

Como explicou Izabel, a queda da fecundidade não é o único fator a se observar na mudança da idade mediana das Regiões. “Podemos ter também um efeito de migração, com o recebimento de pessoas de um determinado grupo etário em certos Estados, principalmente dos jovens adultos, assim como naqueles Estados de onde os migrantes saem. Esses fatores também impactam e ajudam a entender a idade mediana observada nas UFs [Unidades Federativas] e nos Municípios”.

ÍNDICE DE ENVELHECIMENTO

Outro dado que mostra o crescimento populacional dos idosos no Brasil é o índice de envelhecimento. Calculado pela razão entre o grupo de idosos de 65 anos ou mais em relação à população de 0 a 14 anos, quanto maior o valor do índice mais envelhecida está a população. Em 2022, o envelhecimento chegou a 55,2, ou seja, há 55,2 idosos para cada 100 crianças de 0 a 14 anos. Em 2010, o índice era de 30,7, cerca de 44% menor.

Nos municípios menos populosos, o índice de envelhecimento tende a ser maior, chegando a 76,2 em cidades com até 5 mil habitantes. O segundo maior valor do índice, aliás, é encontrado nas cidades mais populosas, com mais de 500 mil habitantes. Tais municípios apresentam uma média de 63,9 idosos para cada 100 pessoas até 14 anos. “Uma possível explicação para esse fenômeno é o deslocamento de pessoas em idade economicamente ativa para as maiores cidades em busca de emprego, educação e serviços”.

“Esse deslocamento de pessoas adultas com seus filhos é predominantemente de pessoas em idade reprodutiva, o que também resultará em um menor número de crianças e nascimentos nas cidades menores, de origem”, explicou a gerente.