
Matteo Bellucci, um menino italiano com coração brasileiríssimo, é apaixonado por violino. O contato com a música clássica começou na vida intrauterina. “Quando engravidei, li uma matéria sobre a importância de colocar música clássica para o bebê na barriga e ao longo da primeira infância. Então sempre levei para concertos tanto na Itália quanto no Brasil”, conta Afra Bellucci, mãe de Matteo. O estímulo, somado a uma vocação natural, fez com que o próprio menino pedisse para aprender a tocar. As aulas começaram há poucos meses e o encantamento só aumenta. “Eu sinto amor. Eu gosto do som. É como se fosse amor mesmo”, diz Matteo.
Essa relação entre crianças e música se repete em muitos lares e, também, em escolas especializadas. O professor de música Raphael Nascimento forma e convive com jovens talentos desde 2007 em escolas, fundações, eventos e, mais recentemente, no Espaço Melodia (@espaco.melodia), criado por ele. Tio Rapha, como é conhecido, usa a musicalização infantil para despertar o interesse das crianças por sons e instrumentos. “Na primeira infância, seja através do professor de musicalização ou de um parente, é interessante que a criança manuseie, veja, conheça os instrumentos com o intuito de torná-los familiares. Ouvir os seus timbres, perceber qual mais agrada. É nessa fase que o “embrião da musicalidade” está se formando, explica Raphael.
MUSICALIZAÇÃO X FORMAÇÃO
A musicalização, ou seja, o contato com sons e instrumentos, começa com os bebês de forma lúdica, mas a idade indicada para de fato começar a aprender a tocar é aos 6 anos. Antes disso, é possível que a criança encontre algumas dificuldades e acabe se desestimulando. Ultrapassada a primeira infância, já há bagagem para saber qual instrumento desperta o interesse para então se dedicar a ele. No entanto, Raphael ressalta que os sinais de habilidades musicais já podem ser percebidos desde cedo. “Constantemente consigo perceber talentos. Alguns são bem afinados, outros apresentam boa memória melódica, outros conseguem fazer precisos movimentos de pinça, por aí vai”
O PAPEL PSICOSSOCIAL DA MÚSICA
“Através da música, as crianças aprendem a conhecer-se a si próprias, aos outros e à vida. E o que é mais importante, através da música as crianças são mais capazes de desenvolver e sustentar sua imaginação e criatividade ousada” Souza & Joly, 2010)
A frase foi escolhida pela psicóloga Giza Santiago para pontuar os benefícios psicológicos da música. “Essa frase me acompanha desde que, como profissional, passei a pensar a música como ferramenta para o desenvolvimento da infância e confirmei na experiência prática a sua importância em diversos aspectos fundamentais, como: desenvolvimento social, emocional, motor, cognitivo, da linguagem, da formação criativa e do sujeito”
Giza explica que na medida em que a criança vivencia os espaços sociais com música, ela se interessa pelos instrumentos, cria formas de manuseio, sente as experimentações sonoras; o corpo se envolve com a harmonia e/ou desarmonia criada; encontra formas diferentes de reverberar os sons. “Oferecer espaços e recursos musicais às crianças, além de ser riquíssimo para a vivência da ludicidade, que por si só já é de grande importância para a infância, é também possibilitar o desenvolvimento de forma singular, não somente no âmbito cognitivo, mas também social e emocional”.

GABRIEL INDICA
Livro ‘Nícolas em: O presente
O livro que vou indicar hoje me surpreendeu. Quando a mamãe começou a ler eu fiquei ansioso para saber o que era aquele presente tão especial na caixa azul com fita dourada que o menino Nícolas não parava de pensar. Ele pega o embrulho e fica imaginando o que tem dentro. Chega a ser engraçado… ele sonha com o presente e até veste a roupa toda errada só pensando naquele pacote especial. Quando chega o momento tão esperado, o dia de abrir o presente, vem a surpresa. Claro que não vou contar né? Mas garanto que você vai adorar essa história que fala de imaginação e amor. O que há na caixa perde a importância diante da grandeza da ação. O que vale mais, dar ou receber? Não posso esquecer das ilustrações. Eu adoro desenhar e, por isso, as imagens sempre chamam a minha atenção. Percebi que muitos desenhos são preto e branco, mas há sempre um ponto de cor nas páginas, o que deixa os cenários bem bonitos.
Livro ‘Nícolas em: O presente
Autores: Agnès Laroche e Stéphanie Augusseau
Tradução: Rosana de Mont’Alverne Neto
Onde encontrar: livrarias e lojas virtuais.
Faixa de preço: entre R$ 40 e R$55

ATIVIDADE – JOGO DAS CORES
Fazer o próprio brinquedo é algo bem especial para as crianças. É como se elas colocassem ali um pouco de si, de suas escolhas, da sua capacidade de criar.
A dica de atividade dessa semana é convidar a criança para montar um joguinho das cores, uma espécie de quebra-cabeça divertido e cheio de possibilidades.
MATERIAIS
Palito de picolé
Pompons coloridos
Cola
Cada palito deve receber 3 pompons de cores diferentes. Mas você precisa montar dois palitos com a mesma sequência de cores para formar o par. Depois alterne as cores, mas não esqueça de sempre manter dois palitos com a mesma sequência para formar o par. Cole e espere secar.
COMO BRINCAR
O jogo exige atenção e percepção aguçada, devido a semelhança na forma e tamanho. O desafio é encontrar os pares na sequência correta de cores.

LEITURA + ARTE INDICA
É cada vez maior a procura por informações relacionadas a criação de filhos. Entre os nomes que se destacam no segmento da parentalidade, Fernanda Marques é referência para esta coluna. Ela é escritora, pedagoga e educadora parental, com quase 20 anos de experiência. Fernanda é cearense e mora nos Estados Unidos. Mãe de três filhos, desenvolve um trabalho admirável no meio digital e rompe fronteiras unindo pais e cuidadores que buscam estratégias práticas, insights baseados em evidências e orientação empática.
ANOS INCRÍVEIS
Para quem deseja mergulhar de forma segura nesse universo vasto de informações, a coluna Leitura + Arte indica o curso Anos Incríveis, que vai abordar idades de 1 a 3 anos, uma das fases mais desafiadoras para os pais. É uma época repleta de marcos importantes, onde o desenvolvimento acontece em uma velocidade impressionante. As aulas serão ao vivo, pela plataforma Zoom, nos dias 6, 13 e 20 de novembro, às 12h (horário de Brasília). Há um grupo no Telegram pra troca de ideias e tira-dúvidas por um período de 30 dias. Os alunos terão acesso às aulas gravadas por 3 anos. As inscrições podem ser feitas através do perfil de Fernanda no Instagram, @feymarques.

FOTO: BEATRIZ CARDOSO
LITERATURA INDÍGENA INFANTIL
Feira literária, bate-papos com escritores, contação de histórias, oficinas, apresentações artísticas e uma experiência imersiva em uma Floresta Viva fazem parte da programação do festival literário para crianças “Histórias da Floresta”, que acontece até domingo, dia 29 de outubro, das 9h às 21h, na Caixa Cultural Fortaleza.
PROGRAMAÇÃO DE HOJE (26)
9h e entre 14h e 17h Visita à exposição cenográfica Floresta Viva, com oficina educativa
10h Contação de Histórias “Corre, Corre, Tremembé”, com Flávia Cavalcante e Mateus Tremembé
11h Oficina de Pinturas Indígenas, com Flávia Cavalcante e Mateus Tremembé
19h Apresentação do espetáculo “IROKO A Grande Árvore”, com Edivaldo Batista
Acesso gratuito.
