Um evento inusitado surpreendeu os moradores do bairro Aldeota, em Fortaleza, no começo desta semana. Duas imponentes árvores de Mungubeira (Pachira aquatica), uma espécie nativa da Amazônia brasileira, porém exótica no Ceará, tombaram no bairro. O que chamou a atenção foi a causa da queda inesperada: um caminhão que colidiu com seus galhos. Mas a explicação para o acontecimento vai além do acidente de trânsito.
O verdadeiro motivo por trás do evento está relacionado a um intruso que recentemente chegou à capital cearense, um inseto amazônico conhecido como Baratão-verde-metálico ou Mãe-do-sol (Euchroma gigantea). Conforme publicação nas redes sociais, o ambientalista e membro do Movimento Pró-Árvore, Leonardo Jales Leitão, explica como o inseto age e a problemática de sua interferência.
“Esse inseto se alimenta das folhas na copa da Mungubeira, mas deposita suas larvar no tronco da árvore, à medida que crescem essas larvas devoram o lenho, abrindo galerias no tronco. Esse fenômeno fica evidente através da gomose, uma secreção. Isso acaba por fragilizar a árvore e suas raízes, ocasionando a sua queda por qualquer razão minimamente mais severa, como um vento forte, chuva ou até mesmo um impacto de um caminhão”.
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Conforme informações técnicas do professor de Agronomia da Universidade Federal do Ceará (UFC), Lamartine Cardoso, há a necessidade de um maior monitoramento por parte da Prefeitura para que estas e outras espécies de árvores na Capital não sejam acometidas pelo mesmo inseto, evitando acidentes e a contaminação de outras plantas. Segundo o docente, a lição a ser aprendida do episódio é a importância de priorizar espécies nativas, mesmo em ambientes urbanos. O especialista defende a necessidade de promover o plantio diversificado de árvores, uma vez que a diversidade contribui para tornar as árvores menos vulneráveis a pragas.
URBFOR
Em nota enviada ao OPINIÃO CE, a Autarquia de Urbanismo e Paisagismo de Fortaleza (UrbFor) informou que detectou os besouros metálicos em vistorias realizadas pelas equipes técnicas em árvores da espécie em diversos locais em Fortaleza. “Com a constatação da presença do besouro e dos possíveis prejuízos causados por ele nas Mungubas ou Mungubeiras, o plantio de novas mudas da espécie da árvore pela Autarquia foi temporariamente suspenso até que se possa determinar uma forma eficaz de controle populacional dos insetos e preservação da saúde das árvores”, explica.
Conforme a UrbFor, também são realizadas vistorias espontâneas e sob demanda em árvores nas 12 Regionais de Fortaleza, independente das espécies as quais pertençam. “Quando detectada necessidade de serviços na árvore, seja para correção, manutenção, limpeza, tratamento de parasitas ou para desobstrução de semáforos, placas de trânsito e iluminação pública, os engenheiros agrônomos produzem um laudo técnico detalhando o tipo de trabalho que deve ser feito em prol da saúde da planta. Além disso, outros aspectos também são levados em consideração, como, por exemplo, a área onde a árvore está localizada, o fluxo de veículos ou pessoas no entorno e a urgência na execução do serviço”.

A Autarquia alerta ainda que podas realizadas sem acompanhamento de profissionais capacitados ou laudo técnico podem tirar o balanceamento da árvore e oferecer risco de queda. “Os serviços devem ser sempre solicitados pelo telefone 156 ou pela abertura de processo nas Centrais de Acolhimento nas 12 Regionais”.
RECOLHIMENTO
Segundo a UrbFor, em caso de queda de árvores em logradouros públicos, a população pode solicitar o recolhimento delas por meio do número de WhatsApp (85) 98682-2269. O contato é exclusivo para o recebimento de demandas de árvores caídas e, por meio dele, os fortalezenses podem enviar fotos e vídeos, junto ao endereço da ocorrência.
