Um exoesqueleto revolucionário, nomeado Steve, fruto da colaboração entre a Universidade Estadual do Ceará (Uece) e a Dell Technologies, está redefinindo o cenário da inclusão de Pessoas com Deficiência (PcD) no ambiente de trabalho. O dispositivo, capaz de elevar uma pessoa que utiliza cadeira de rodas à posição vertical, está possibilitando que PcDs ingressem em cargos e funções da indústria e setores que anteriormente eram predominantemente ocupados por trabalhadores sem deficiência.
O cientista-chefe do Laboratório de Desenvolvimento e Inovação (LDI) da Uece, professor Francisco Carlos Oliveira, é o idealizador do exoesqueleto. Ele descreve o Steve como “um aparelho para habilitar para o trabalho”, nascido do desejo da parceria de promover maior acessibilidade e inclusão para os brasileiros PcDs. O insight para o projeto surgiu durante uma visita à linha de produção da Dell.
“Observei aquela linha de produção, onde tudo era organizado para máxima eficiência. Todos os funcionários estavam de pé, trabalhando na mesma altura devido a uma esteira que passava pelos postos de trabalho. Foi nesse momento que percebi o potencial de permitir que pessoas em cadeiras de rodas trabalhassem em posições semelhantes de montagem de computadores. Normalmente, elas são designadas a funções economicamente menos valorizadas”.
O Steve é um produto inédito no mundo, já certificado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). O professor Fran destaca sua singularidade: “Existem outros exoesqueletos que abordam diferentes aspectos, mas o nosso é inédito porque é o primeiro projetado especificamente para habilitar o trabalho”. Além disso, o exoesqueleto auxilia no cumprimento da Lei de Cotas, que exige uma proporção mínima de profissionais PcDs em empresas.
O reitor da Uece, professor Hidelbrando Soares, explica que a pesquisa conduzida na instituição, que possibilitou o desenvolvimento do Steve, atende a duas pautas cruciais para a universidade. “Com foco nessas pautas, inovação científica e tecnológica e acessibilidade a parceria entre a Uece e a Dell, por meio da Lei da Informática, voltou-se fortemente para o desenvolvimento de tecnologias assistivas, consolidando-nos uma referência científica nessa área. Como fruto também dessa parceria bem-sucedida, a tecnologia apresentada pela Dell carrega um DNA ueceano, e o resultado é o fortalecimento da ciência, da tecnologia e das ações de acessibilidade”.
Erico Oliveira, testador de software da Dell, compartilhou sua experiência com o Steve. “Tenho minha vida e utilizo cadeira de rodas. Em casa, posso usar muletas, mas o Steve faz toda a diferença, pois com muletas, não posso soltar minhas mãos. Com o Steve, estou livre das muletas e da cadeira de rodas, o que me permite alcançar coisas no armário e me deixa independente, sem precisar de assistência”.

CRIAÇÃO
Eder Soares, gerente de Projetos de Inovação e líder do Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (Lead) da Dell em Fortaleza, explica que a criação do Steve faz parte dos esforços da Dell para criar um ambiente mais inclusivo para pessoas com deficiência. O projeto, iniciado em 2018, envolveu uma equipe multiprofissional que trabalhou para garantir que o exoesqueleto não comprometesse a saúde dos usuários. O exoesqueleto Steve possui assentos ergonômicos, apoio para joelhos, braços e panturrilhas, além de suporte para a circulação sanguínea. Dispositivos de segurança, como botões de emergência, cintos torácicos e nas pernas, dispositivos antiqueda e apoios traseiros, garantem a segurança dos usuários.
O projeto de acessibilidade implementado pelo Lead na fábrica da Dell em Hortolândia (SP) emprega atualmente 94 profissionais com deficiência na linha de produção. Com o Steve, a expectativa é que esse número cresça, à medida que o projeto seja implementado nesta fábrica nos próximos meses.
