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Grande Messejana registra dois casos de intolerância religiosa em menos de 72 horas

Além das pichações, símbolos nazistas tomam conta da entrada do Mosteiro. Foto: Reprodução.
Além das pichações, símbolos nazistas tomam conta da entrada do Mosteiro. Foto: Reprodução

O patrimônio físico do Mosteiro de São Bento, na Grande Messejana, em Fortaleza, foi hostilizado e depredado por criminosos na madrugada desta sexta-feira (20). Ao amanhecer, os moradores se depararam com pichações de intolerância religiosa e relataram que partes do corpo de um gato estavam no local. Frases como “Morte aos cristãos” e “Satan vive”, além de símbolos nazistas, tomam conta da entrada do Mosteiro. O OPINIÃO CE recebeu a denúncia por meio de aplicativo de mensagem.

Esse já é o segundo caso de intolerância religiosa na região registrado em menos de 72 horas. Na última terça-feira (17), criminosos invadiram e vandalizaram uma igreja evangélica, na Paupina. Durante a invasão, itens do templo religioso foram destruídos, e partes do corpo de um gato esquartejado e bilhetes com ameaças foram deixados dentro da igreja. O caso é investigado pela Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) e pela Polícia Civíl.

Encontrado pelos fiéis, em meio ao corpo desmembrado do gato, o bilhete armazenava ameaças e exaltava uma suposta dominação de Lúcifer, incitando intolerância religiosa. “Dá risada suas cristãs safadas! Os servos de Lúcifer estão na área. Suas preces não irão adiantar. Santan Vive! Morte a vocês”, dizia o bilhete.

Foto: Reprodução

O caso está sendo investigado pela Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente e inclui crime ambiental, por maus-tratos a animais, e crime de dano, pela depredação do templo religioso. Até a publicação desta matéria, a Delegacia de Repressão aos Crimes por Descriminação Racial, Religiosa ou Orientação Sexual não se pronunciou sobre os casos. Em nota enviada ao OPINIÃO CE, a Secretaria da Proteção Animal do Ceará (Sepa) repudiou os casos de intolerância religiosa que vitimaram animais nos últimos dias. “A pasta reafirma seu compromisso em fomentar políticas públicas para o monitoramento e a prevenção de maus-tratos contra animais através ações educativas”, disse.

INTOLERÂNCIA RELIGIOSA

O tema também vem sendo usado por lideranças evangélicas na Assembleia Legislativa em apoio a um projeto que prevê uma legislação contra a “cristofobia”. A constituição brasileira já prevê a garantia da liberdade de toda e qualquer religião, credo e fé. A legislação define como crime a prática, indução ou incitação ao preconceito de religião, bem como de raça, cor ou etnia. Os casos relatados na Messejana, bem como intolerâncias que assolam grupos de outras religiões, são passíveis de pena de 1 a três anos de reclusão e multa. Além disso, o Ceará dispõe da Delegacia de Repressão aos Crimes por Descriminação Racial, Religiosa ou Orientação Sexual, que combate aos crimes de discriminação racial, religiosa e de orientação sexual, em todo território estadual.

Em vídeo publicado nas redes sociais nesta sexta-feira (20), o deputado Apóstolo Luiz Henrique (Republicanos). “Estou conclamando o povo cristão a nos unirmos. Imagino se isso fosse morte ao LGBT. Vamos avante, gente”, disse. Na quarta-feira (18), o deputado já havia denunciado, no primeiro expediente da sessão plenária da Casa, “casos de cristofobia” em Fortaleza. Ainda conforme ele, a situação já foi denunciada pelo parlamentar à Decrim e ao Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE). “Quem tem seu discurso de ódio, problema de quem tem. Mas nós, que somos pastores e verdadeiros cristãos, estamos pedindo que o Estado faça alguma coisa”, cobrou.

Ele também mencionou a possibilidade de, caso não haja resposta da Prefeitura de Fortaleza ou do Estado, levar a questão a Brasília e falar com o diretório nacional de seu partido para vir como pré-candidato a prefeito de Fortaleza no próximo ano. Em aparte, o deputado Antônio Henrique (PDT) expressou apoio ao projeto, destacando que é cristão e frequentador de uma igreja na periferia de Fortaleza.