O grupo de Contingência Estadual se reuniu nesta quarta-feira (11) para debate especial com foco nos altos índices de calor e nos incêndios florestais que atingem o Ceará. O colegiado interinstitucional monitora a situação hídrica dos municípios cearenses e adota medidas para mitigar os efeitos da estiagem. A reunião foi coordenada pelo assessor especial para Assuntos Municipais da Casa Civil, Artur Bruno.
O encontro visou reunir os principais órgãos estaduais e federais ligados à proteção ambiental e segurança hídrica para buscar ações de prevenção no combate aos incêndios. Estiveram presentes representantes do Corpo do Bombeiros, Polícia Militar, Defesa Civil, Casa Militar, Ibama, UFC, Secretaria dos Recursos Hídricos (SRH), Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA), Cogerh, Funceme, Sema e Cagece.
“A reunião foi elaborada através do diagnóstico da Funceme, que identificou ondas de calor no Estado e um possível El Niño para o próximo ano. Então, precisamos unir nossas forças e garantir ações que reduzam os dados para a população e para as florestas. O grupo vai elaborar medidas emergências e um plano para conter esses desastres no futuro próximo”, informou o assessor Artur Bruno.
Uma apresentação da atual situação estrutural dos municípios para o combate aos incêndios, realizada pelo coordenador Estadual da Defesa Civil, coronel Haroldo Gondim, demonstrou que é necessário “montar um sistema informatizado de integração entre os municípios e instituições do Ceará, além de um Plano de Contingência e Brigada de Incêndio alinhado com os municípios”. Segundo o coordenador, cientistas chefes da UFC darão apoio para fazer essa automatização.

O cientista chefe em Recursos Hídricos e professor da UFC, Assis Filho, também colocou o órgão à disposição para contribuir na elaboração de materiais que ajudem o grupo. “Já temos uma estrutura conceitual para trabalhar na seca e na cheia. Agora vamos trabalhar planos que reduzam os efeitos dos incêndios. Trabalhamos em parceria com a Cogerh os planos de convivência com a seca, que ajuda o grupo na gestão dos desastres, e vamos usar essa expertise para auxiliar também nas ações do fogo”.
NOVO GRUPO
Conforme informações do Governo, um novo grupo, composto pelos órgãos que participaram da reunião desta quarta-feira, será criado para continuar avaliando o cenário de seca, calor e incêndios. As reuniões do Grupo de Contingência acontecem de forma mensal para monitoramento da situação hídrica dos municípios cearenses.
Presente no encontro, o assessor de Relações Comunitárias da Casa Civil, major André Barbosa, ressaltou a importância da integração dos órgãos para fortalecer as ações de defesa civil no Estado. “O Estado do Ceará é um só e existem vários órgãos que podem ajudar a conter os desastres naturais. A formação desse grupo é de extrema importância para o fortalecimento no trabalho de prevenção”.
FOCOS DE CALOR
O pesquisador da Funceme, Franckie Balman, explanou os dados da onda de calor que atinge o Ceará. De acordo com ele, o calor de setembro de 2023 perde apenas para setembro de 2001, consagrando as ondas de calor deste ano como as maiores em 12 anos. “Historicamente, setembro, outubro e novembro são os meses mais quentes do ano. O Ceará teve dois anos de boas chuvas, o que aumenta a vegetação, então podemos fazer a ligação dos altos índices de focos de incêndio com o aumento da vegetação pela boa quadra chuvosa e com os altos níveis de calor do mês de setembro”, relacionou.
