“O Brasil vai virar uma Venezuela”, “Em breve as pessoas vão comer cachorro”, “O comunismo vai ser implantado”, “As igrejas serão fechadas”. Essas são algumas falas dos que deliram. Elas ganham mais força em época de campanha eleitoral. Já quase 12 meses do novo governo e nada disso obviamente se efetivou. Eles têm medo do fantasma do comunismo. A maioria sequer deve saber do que se trata. Não leem, não estudam, nem se dão ao trabalho de pesquisar o significado da palavra no dicionário. Não conhecem filosofia política, nem história.
O ministro Alexandre de Moraes disse, em evento recente, que comunismo “dá Ibope”. Nos grupos de zap dos tios e tias patriotas, com certeza, essa palavra, embora desconheçam o que quer dizer, deve ser bastante citada, falada, debatida. Ganha Ibope, ganha fama, vai parar na boca de desavisados, de indivíduos que talvez tenham ouvido falar nisso pela primeira vez no grupo de zap, na bolha da rede social. Em termos gerais, comunismo foi o que a humanidade pensou sobre a possibilidade de um mundo justo, igual, sem tanta miséria e pobreza. Um sistema comum, em que todos tenham conforme suas necessidades, em que ninguém tenha mais que o outro.

O comunismo, para essa gente, é um fantasma, um eterno fantasma. Apenas anunciado, como quando alguém que mora na mesma casa diz para outros moradores ter visto uma alma. Os outros ficam na expectativa e no receio de um dia constatarem o relato. Nessa espera, deliram, fingem ter visto, mentem, enfileiram-se em trincheiras para combater o pretenso inimigo, passam temporadas acampados perto de quartéis, enfrentam sol, chuva e ventania, invadem prédios públicos, depredam e vandalizam. São péssimos combatentes, soldados sem guerra, exército sem razão de ser.
