Neste domingo (8) o Itamaraty realiza reunião para debater o conflito entre Israel e Palestina e a situação dos brasileiros na região. Neste sábado (7), o Hamas, grupo terrorista islâmico, bombardeou o território israelita, em um dos maiores ataques que o país já sofreu. As disputas territoriais entre as duas nações vêm desde meados do Século XX. Participam da reunião a ministra substituta das Relações Exteriores, a embaixadora Maria Laura da Rocha; o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro (PTB); e o Assessor Especial do Presidente da República, o embaixador Celso Amorim.
O Ministério das Relações Exteriores (MRE), informou que a situação das comunidades brasileiras estão sendo monitoradas. São estimados 14 mil brasileiros residentes em Israel e seis mil na Palestina. “A grande maioria dos quais, fora da área afetada pelos ataques”, informou, em nota.
No entanto, segundo o Itamaraty, um brasileiro foi ferido e se encontra hospitalizado. A Embaixada do Brasil em Tel Aviv, no Israel, está prestando assistência a ele e buscando contato com outros dois brasileiros que também estavam em um local atacado. Ainda no domingo, mas às 16h, será realizada uma reunião do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), na sede da entidade, em Nova Iorque. A convocação extraordinária foi definida pelo Brasil, que ocupa a presidência do órgão. Serão tomadas decisões, no âmbito do organismo, sobre os ataques.
ENTENDA O CONFLITO
Em 1947, após o fim da Segunda Guerra Mundial, a ONU propôs a criação de dois Estados na região, um judeu e outro árabe. Enquanto os judeus aceitaram a proposição, os árabes a rejeitaram. Com o impasse, os líderes judeus proclamaram o Estado de Israel, o que revoltou os palestinos, ocasionando no primeiro conflito entre os dois países, a Guerra Árabe-israelense, em 1948.
Nos anos 60, a Guerra dos Seis Dias foi responsável por alterar o cenário político da região. Iniciada em 1967, a batalha terminou com Israel tomando os territórios da Cisjordânia e Jerusalém Oriental, que estavam sob o controle da Jordânia; e a Faixa de Gaza, à época, do Egito. Na parte oriental de Jerusalém, aliás, estão localizados santuários venerados por três grandes religiões: cristianismo, judaísmo e islamismo.
Com o nome como um acrônimo para Movimento de Resistência Islâmica, o Hamas surgiu em 1987, após o início do primeiro levante palestino contra a ocupação de Israel na Cisjordânia. As regiões da Faixa de Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental passaram a ser controladas pela Autoridade Nacional Palestina (ANP). No entanto, o conflito não foi enfraquecido, isso, pois Israel incentiva a colonização dos territórios, por meio de assentamentos israelitas.
No entanto, em 2006, a Autoridade Nacional Palestina (ANP) perdeu a legitimidade entre os palestinos no território da Faixa de Gaza, o que resultou em uma vitória do Hamas nas eleições legislativas para controlar a região.
O Hamas é a maior organização islâmica nos territórios palestinos. Nações como Israel, Estados Unidos e União Europeia consideram o Hamas como um grupo terrorista, o que levou a restrições financeiras e diplomáticas ao grupo. Em sua fundação, a organização estabeleceu duas principais metas: a promoção à luta armada contra Israel e a realização de programas de bem-estar social. No entanto, o documento foi atualizado em 2017. Na ocasião, o grupo informou que a luta não era contra os judeus, mas sim contra “os agressores sionistas de ocupação”.
