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Lia Gomes lamenta processo vivido no PDT e critica relação com executiva nacional

Foto: Dellano Rio/OPINIÃO CE

A deputada estadual Lia Gomes (PDT) disse enxergar como lamentável a destituição do senador Cid Gomes (PDT) do comando estadual do PDT e o processo que vem ocorrendo internamente na sigla. Em conversa exclusiva com o OPINIÃO CE, a parlamentar destaca que o caso demonstra uma “deturpação da configuração partidária, onde as pessoas são donas do partido” e vê como “muito ruim para o PDT” todo o processo que vem ocorrendo. Lia, irmã de Ciro e Cid Gomes, também critica decisões tomadas pela executiva nacional, na figura do presidente interino, deputado federal André Figueiredo (PDT). “O André não se importa que o PDT vire um partido que vai caber dentro de um fusca, desde que ele mande nesse partido”, aponta.

“Vejo com muita tristeza. Eu acho que o Brasil tem essa deturpação, que é essa configuração partidária onde as pessoas são donas do partido. Na maioria dos partidos não existe democracia. Veja bem o que aconteceu aqui no Ceará: nós temos uma bancada de 13 estaduais, 10 estão acompanhando a posição do Cid e três estão com André; são cinco federais, quatro estão apoiando a posição do Cid e o André é o único que está do outro lado. Temos 57 prefeitos, 55 estão com o Cid e dois estão com André. Então, que democracia é essa?”, questiona.

A destituição de Cid foi anunciada no último dia 2 pelo presidente nacional do PDT, André Figueiredo. Nesta sexta-feira (6), o caso ganhou mais um capítulo. A executiva nacional destituiu o diretório estadual e criou uma comissão provisória para ficar à frente da sigla no Ceará. Cid tenta marcar eleição para definir novo comando do partido no Estado.

De acordo com Lia, “Cid não precisava passar pela atual turbulência pois nunca quis a presidência do PDT”, uma vez que cedeu sua vez de presidir a André, conforme combinado feito previamente entre os dois. “Um tempo depois de entrarmos no PDT, o André combinou com o Cid que eles fariam rodízio na presidência: André ficaria quatro anos e depois o Cid. Quando chegou na hora do Cid assumir, o André foi na casa de Cid e fez um apelo para parecer, e o Cid aceitou. O Cid estava em casa confortavelmente, abriu mão da presidência do partido e foi procurado”, explica a parlamentar, ao ressaltar que Cid foi procurado para a missão de pacificação com prefeitos filiados ao PDT no interior do Ceará.

INSEGURANÇA

Segundo Lia, outro ponto que vinha sendo reavido por sido diz respeito às executivas dos diretórios de partido no Interior do Estado – sendo a maioria, segundo ela, provisórias. “O PDT não está organizado burocraticamente nesse sentido”, aponta. Porém, em dois meses, Cid já conseguiu eleger e  regularizar 70 executivas, conforme a parlamentar. “Enquanto é provisório, o presidente dá uma canetada e destitui. Você tá ali filiado ao PDT, é um cara que vai ser candidato a prefeito ou já foi e, de repente, vem outro que diz ‘não, André [nome fictício], me dê partido’, e aí o André dá a canetada e dissolve ali o diretório. O Cid quis organizar isso, começou a fazer reuniões semanais, quinzenais, ouvindo todo mundo, com viagens a outros municípios. Infelizmente, é a conjuntura do nosso país”, ressalta. 

A parlamentar ainda comentou sobre a suposta divergência de acordos entre Cid e André, ponto defendido pelo deputado federal ao destituir Cid do comando da sigla. Segundo Lia Gomes, o senador não assumiu o compromisso que o deputado disse ter firmado.

“O acordo que o Cid fez, embora o André tenha dito que o Cid descumpriu, era que o Cid assumiria a presidência por quatro meses, organizaria o partido, e criaria o diretório para dar mais segurança para os candidatos do interior que estão sendo assediados. André disse que o compromisso era não discutir o apoio do governo e que não traria essa discussão, para ter uma conversa com o Elmano. Para que o Elmano quer conversar com o André, se ele já desenvolveu um relacionamento bom com todos os deputados? Isso é mentira, não é verdade que o Cid assumiu esse compromisso”, destacou.

Questionada sobre o que significa a pacificação do PDT, Lia afirmou que é “a possibilidade de conviver com o diferente dentro do partido”. A deputada exemplifica com situações que vive na Assembleia Legislativa, onde precisa conviver, de maneira respeitosa, com parlamentares da oposição. “Eu sei o que eles pensam, só peço a eles que façam críticas respeitosas. Vá lá, critique o Cid, diz que você não concorda, fique nesse campo com respeito. Isso que eu penso que poderia acontecer dentro do PDT. A gente respeita a corrente opositora”.

IRMÃOS FERREIRA GOMES

Rompidos politicamente desde 2022, os irmãos Ciro e Cid Gomes ainda não conseguiram se reaproximar. Os dois divergem quanto à condução da sigla no Ceará. Cid defende a retomada da aliança com o PT, já Ciro está ligada ao grupo de Roberto Cláudio, José Sarto e André Figueiredo. Questionada sobre se os irmãos estão distantes, também, do ponto de vista ideológico, Lia refuta. “De jeito nenhum. Eles pensam exatamente as mesmas coisas, tanto que foram aliados. Eu acho que o que azedou foi o entendimento da política local e penso que a falta de diálogo entre os dois foi o que precipitou isso. O Cid resolveu se afastar para não brigar e depois acabou se omitindo. Acho que foi falta de conversa, basicamente, e eu tenho esperança que um dia eles voltem a conversar.”

“Não é que eu esteja mais do lado do Cid. Eu fui a deputada mais votada em sete municípios do Estado, então eu sou responsável, de certo modo, por esses prefeitos. Não sou responsável, mas eles esperam de mim que eu colabore, que eu retribua em forma de trabalho essa confiança que o povo da cidade me deu. E todos eles querem fazer parte da base de apoio do Governo, eles acham que o grupo é o mesmo, que os projetos são os mesmos. Do jeito que o Camilo deu continuidade, o Elmano está se revelando e executando os mesmos programas, mantendo a organização da saúde que o Cid fez todinha. Está sendo uma continuidade”.