O presidente da Assembleia Legislativa do Ceará e um dos pontos de embate entre membros do PDT no Ceará, deputado Evandro Leitão, lamentou decisão de destituir a executiva estadual da sigla no Estado e criação de uma comissão provisória para ficar à frente da agremiação. O movimento foi feito pelo deputado federal André Figueiredo, presidente interino do PDT Nacional, e gerou uma série de críticas da ala ligada ao senador Cid Gomes, que tenta reaver o controle do partido em nível local. Após a decisão, o senador notificou a executiva nacional do PDT cobrando esclarecimentos.
Para Evandro, o grupo de André age “de forma absolutamente sorrateira”. “Muito grave! A que ponto essa situação de desrespeito chegou. Lamentável! Inaceitável!”, disse Evandro em publicação em suas redes sociais. O presidente da Casa, nome cotado para disputar a Prefeitura de Fortaleza em 2024 e que tenta, na Justiça, deixar o PDT, já chegou a afirmar que se sente “perseguido” pelo comando da sigla na figura de Figueiredo.
“O PDT sofre mais um duro golpe no Ceará. Dessa vez, os membros do Diretório Estadual foram surpreendidos com a notícia de que alguém, usando a senha do partido, inativou todos integrantes no sistema do TRE”.
Ver essa foto no Instagram
ENTENDA
Em meio à crise interna instaurada no PDT do Ceará, o deputado federal André Figueiredo destituiu toda a mesa diretora pedetista no Estado. A destituição ocorreu para a instituição de uma comissão provisória, composta por 12 integrantes e ligada ao grupo político de Figueiredo. O OPINIÃO CE obteve o documento que lista os destituídos. Na última segunda-feira (2), Figueiredo, que havia se licenciado do diretório cearense para dar lugar ao senador Cid Gomes -, decidiu retomar o comando do PDT Ceará após o grupo cidista ameaçar votar uma moção de apoio ao governador Elmano de Freitas (PT). André alegou que, com isso, Cid descumpriu acordos previamente estabelecidos. O senador, por outro lado, afirma que os acordos não foram feitos.
O OPINIÃO CE tentou contato com Figueiredo, mas não obteve retorno.
Deputados estaduais da base de Cid criticaram o movimento de Figueiredo. “O diretório tinha validade até o dia 30 de dezembro, foi explicitado pelo André que o Cid ficaria até dezembro”, explicou Osmar Baquit, deputado estadual que classifica a ação como “fraude”. “A Justiça Comum vai julgar se o ato é válido ou não. Não houve comunicação prévia [da decisão]. Fiquei sabendo por meio da imprensa. O PDT parece que é o partido dos vampiros, só se pode trabalhar à noite. A decisão foi tomada de madrugada”.
Figueiredo alega que a Comissão Provisória foi criada porque o atual diretório estadual, eleito no dia 5 de outubro de 2019, além da prorrogação de mais dois anos, teve o mandato expirado nesta quinta-feira (5).
