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Maciço de Baturité e os múltiplos caminhos que levam ao café

Museu do Café, em Baturité. Foto: Divulgação/Sebrae

A atividade agropecuária representa 10% do PIB da região do Maciço, liderada pela produção de banana, responsável por 87,4% da produção regional e que injeta mais de R$ 41 milhões na economia local. Há mais de dois séculos, o café também chegou à região. Sua presença não apenas alterou a paisagem, como se tornou um pilar fundamental na integração da produção agrícola com o turismo. A jornada de colaboração teve início em 2015, quando o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) uniu forças com os produtores locais para revitalizar o café como parte fundamental do desenvolvimento econômico. Assim, nasceu a Rota Verde do Café, que conecta os municípios de Pacoti, Guaramiranga, Mulungu e Baturité.

Durante esta semana, a região é foco político e econômico com a chegada da Assembleia Itinerante. Marcando o momento, o OPINIÃO CE reúne, nesta edição especial, elementos que destacam o Maciço de Baturité, composto por 13 municípios, como uma das mais importantes regiões cearenses. Na primeira reportagem da série, o OPINIÃO CE mostrou as marcas da história, pioneirismo e desenvolvimento da Serra. Nesta segunda reportagem, mostramos a importância da economia cafeeira para os municípios.

ROTA DO CAFÉ

Para o prefeito de Baturité, Herberlh Mota (PL), a Rota do Café é de “extrema importância para o desenvolvimento sustentável e de alto impacto socioeconômico” para o Município. “Capaz de promover inclusão produtiva e social, dinamismo no cultivo do café, visibilidade, fortalecendo sua vocação – turismo de experiência associado à produção agrícola”, detalha. A jornada continuou em 2021 com a valorização da história, memórias, práticas de cultivo e comercialização do café no Município.

A Rota do Café em Baturité inclui a Estação Ferroviária, o Mosteiro dos Jesuítas e o Circuito Uirapuru, com o Centro de Referência do Café de Sombra como destaque. Mota enfatiza que o turismo na cidade contribui para um desenvolvimento integral, renovando o posicionamento na Rota Verde do Café, gerando renda e empregos por meio de um tecido empresarial sensível às questões ambientais e promovendo a integração do poder público, instituições diversas, ensino e cultura.

“Implantamos o programa de Marketing Territorial – Baturité, terra do café -, incorporando os princípios da Economia Circular, verdadeiro avanço na construção de uma ambiência favorável ao surgimento de novos negócios do turismo, atrativos e de ações transversais como pesquisa, estudos, educação patrimonial e ambiental que sustentam a revitalização do Café de Sombra e a maturação das comunidades envolvidas”, explica o prefeito.

A chefe do Executivo municipal de Guaramiranga, Roberlândia Ferreira (PDT), destaca, por sua vez, a significativa contribuição da Rota e do turismo para a economia do Município. “A Rota proporciona experiências em meio à natureza através de passeios em trilhas onde o visitante conhece cafezais plantados sob a sombra da Mata Atlântica, sua história, e finaliza o passeio com degustações programadas. Para o turismo, a Rota tem sua importância como novo produto em construção capaz de fomentar o interesse de novos visitantes”.

Sítio São Roque, em Mulungu. Foto: Sebrae/Divulgação

TURISMO E AGROECOLOGIA

A Rota do Café também possibilitou uma governança empresarial e uma ênfase na cadeia de valor que combina turismo e agronegócio. A Rota passa por 10 pontos turísticos, entre sítios, fazendas, mosteiros e outros equipamentos. Segundo Fabiana Gisele, articuladora do Sebrae Ceará no Maciço do Baturité, o projeto surgiu após um diagnóstico levantado pelo Sebrae Nacional. “Em 2013, surgiu a proposta focada na produção do café. À época, se entendia que o café era uma cultura morta, mas as propriedades tinham muitos cafezais antigos”, explicou.

A partir do projeto, houve um crescimento exponencial no número de negócios no Maciço. “Em Guaramiranga, uma cidade âncora, a população de cerca de 5 mil habitantes chega a ficar cinco vezes maior [com o programa]. Então, não dá para mensurar o impulso econômico disso”, afirma Fabiana. De acordo com ela, todas as iniciativas levaram a um olhar mais competitivo por parte das gestões públicas. “Os municípios sentiram que, mesmo integrados, os pequenos negócios passaram a ter um posicionamento de forma mais competitiva e mais organizada.”

Levando em consideração a importância do café para a região, o trabalho de revitalização do que viria a ser a Rota do Café foi iniciado ainda em 2013. Em outubro daquele ano, deu-se início aos trabalhos, com uma feirinha em Mulungu, município onde, conforme Fabiana, havia mais produtores interessados. A ideia de anexar o turismo como parte da iniciativa surgiu em 2014. “Em 2014, percebemos que havia muitos casarios fechados, que tinham feito sua riqueza voltada para o café”, disse. “Percebemos que dava para fazer uma ligação com o turismo”, completa. A ligação começou a funcionar no dia 29 de novembro de 2015.

Em 2016, foi instalada a Associação do Turismo do Maciço do Baturité (Asemb), que trouxe uma proposta de sustentabilidade à Rota. Segundo Fabiana, com a nova política, os agentes que fazem a Rota do Café funcionar devem prezar pela sustentabilidade. Os resultados foram tão positivos que, ainda no ano, todos os membros da Rota eram destinos turísticos por excelência, com um fluxo constante de visitantes. Atualmente, existem mais de 380 negócios vinculados à Rota.

Reportagem de Anderson Alves e Felipe Barreto*