A Prefeitura de Fortaleza lançou a plataforma BigData Fortaleza, por meio do Instituto de Planejamento (Iplanfor), nesta quarta-feira, 27. O sistema permite a integração de dados municipais e o cruzamento dessas informações, a fim de definir novas políticas públicas e orientar tomadas de decisão pelos gestores baseadas em evidências. Nesta primeira fase, serão contempladas as áreas de Educação, Saúde e Primeira Infância. Por conter informações sensíveis, o acesso ao BigData será restrito a gestores públicos, em consonância com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
De acordo com o superintendente do Iplanfor e vice-prefeito de Fortaleza, Élcio Batista, o maior beneficiado pela integração de políticas públicas é o cidadão, uma vez que a ferramenta permitirá “respostas mais assertivas sobre o impacto dos projetos na redução das desigualdades”. “O BigData Fortaleza demonstra o compromisso do Iplanfor e da Prefeitura com a cultura e a ciência de dados. A plataforma facilitará a personalização e a integração de políticas públicas em diversas áreas, tornando a gestão mais eficiente e equitativa”, afirma.
Um dos atributos do Bigdata é a aplicação da Inteligência Artificial para a geração de alerta que possibilite o melhor direcionamento das ações da Prefeitura. Segundo o vice-prefeito, neste primeiro momento, o funcionamento da plataforma focará em três problemas: saber a demanda real das creches municipais, identificar quais crianças das creches não estão vacinadas, e acompanhar gestantes da Capital.
“Queremos ter a demanda real de creches na cidade de Fortaleza. A gente hoje sabe todas as crianças que nasceram na cidade de Fortaleza, nas últimas 48 horas, quais são os bairros delas e qual é a demanda de creche que vai ter naqueles bairros. A plataforma já traz isso, porque integrou sistemas que estavam desintegrados. Segundo, podemos saber quais crianças que têm acesso às creches não estão vacinadas. Terceiro, fazer um acompanhamento de cada gestante na cidade de Fortaleza, porque temos as informações das gestantes dentro da plataforma e podemos individualizar os cuidados, priorizando a atenção a gestações de alto risco ou casos de gravidez na adolescência,” detalha Élcio.
A secretária da Educação, Dalila Saldanha, considera que o BigData pode mudar completamente a dinâmica de criação e ocupação de vagas da Rede Municipal de Ensino. “O BigData é uma ferramenta gerencial de alta relevância para que a gente consiga alocar os recursos da melhor forma, de maneira que encontre a necessidade dos cidadãos. Hoje temos uma demanda de creche no registro único, chamada de demanda manifesta, mas só temos aquela informação, não sabemos em tempo real a distribuição daquela população na cidade. O BigData vai trazer essa informação. Ele servirá para política de longo prazo, o planejamento, mas principalmente para acompanhar o dia a dia,” descreve.
A titular da Coordenadoria Especial da Primeira Infância (Cespi), Angélica Leal, ressalta a importância desse recurso para o cuidado com crianças de zero a seis anos. “A integração de dados na plataforma vai dar um panorama para que possamos apoiar cada secretaria em suas entregas. Ao mesmo tempo, o BigData vai revelar elementos para que a gente tenha políticas públicas mais assertivas, mais individualizadas e focadas nas crianças. A primeira infância é um período muito curto, que vai da gestação aos seis anos, então as intervenções necessárias têm que ser imediatas,” afirma.
ANÁLISES
Segundo a Prefeitura, com o BigData será possível fazer previsões demográficas por bairro; realizar acompanhamento da quantidade de vagas disponíveis em creches a partir do número de nascidos vivos; além do monitoramento da cobertura vacinal. Assim, gestores poderão mobilizar campanhas de vacinação direcionadas ou avaliar a necessidade de abertura de novas vagas em escolas em áreas com maior demanda, por exemplo.
Para o secretário da Saúde, Galeno Traumaturgo, a plataforma é o sonho de todo gestor. “É um avanço enorme. O grande problema na gestão pública, principalmente na saúde, é a ausência de dados reais. Nós vivemos sempre em busca de informações em tempo real, e a ferramenta nos permite isso com praticidade e facilidade”, pontua.
O secretário dos Direitos Humanos e Desenvolvimento Social, Francisco Ibiapina, considera que o programa pode contribuir para atender as populações mais vulneráveis. Uma das bases de dados da ferramenta é o Cadastro Único, principal banco de dados utilizado pela pasta. “A partir do cruzamento das informações do Cadastro Único com bancos de dados da educação, da saúde, que é feito no Bigdata, a gente pode construir cenários e aprimorar a atuação das políticas públicas”, ressalta.
A plataforma foi elaborada por meio de parceria entre Iplanfor e Universidade Federal do Ceará (UFC), via Programa Cientista Chefe, com financiamento da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap).
