A Companhia de Água e Esgoto do Estado do Ceará (Cagece) explicou o motivo para a construção da usina dessalinizadora na Praia do Futuro, em Fortaleza. Ao OPINIÃO CE, a empresa informou que a localização permite um menor valor de investimento e custeio, devido à proximidade com os reservatórios da Cagece. Além disso, a qualidade da água da Praia do Futuro e a disposição das correntes marinhas são outros fatores favoráveis para a localização do equipamento. Nesta semana, o ministro das Comunicações, Juscelino Filho (União), disse haver riscos aos cabos submarinos que transferem dados entre o Brasil e o mundo caso a obra seja levada adiante.
Ainda conforme a Cagece, quanto mais distante do ponto atual da obra, mais alto seria o valor de investimento com as adutoras para levar a água aos reservatórios da empresa. De acordo com a Companhia, em 2022 já foi realizada uma mudança de 500 metros do ponto de captação para atender uma solicitação em relação ao cabeamento submarino. “Somente com essa modificação já teremos um aumento nos investimentos na ordem de R$ 35 milhões a R$ 40 milhões. Cabe destacar que essa alteração já atende às regulações internacionais de proteção dos cabos submarinos, encerrando, assim, essa temática e aumentando a margem de segurança do projeto”, afirmou, em nota enviada ao OPINIÃO CE.
O EMBATE
A usina começou a ser projetada em 2017 e está em fase de licenciamento ambiental. Com investimentos previstos em R$ 526 milhões, a expectativa é de que o documento saia em outubro e que as obras sejam iniciadas no primeiro trimestre de 2024. Em evento no Ceará nesta última segunda-feira, 25, o ministro das Comunicações ressaltou que as obras da usina de dessalinização podem causar uma série de impactos aos cabos submarinos. “Qualquer situação que gere impacto deve ser profundamente discutida, analisada e avaliada para que busquemos construir juntos, por meio do diálogo, o melhor caminho para a preservação desse hub internacional que é Fortaleza”, disse.
“Estaremos juntos, com a Anatel [Agência Nacional de Telecomunicações] e com todas as entidades do setor, discutindo formas de construir um ambiente seguro, sem nenhum tipo de impacto nas infraestruturas.”
O evento foi organizado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e pela empresa TelComp. Esta última diz que as obras da Cagece trazem risco à integridade dos cabos, mesmo a Companhia cearense já alegando ter alterado o projeto. “Não dá para conviver com essa estrutura, mesmo que a construção seja 100% segura”, disse à Folha de S. Paulo o presidente executivo da entidade, Luiz Henrique Barbosa, em entrevista publicada nesta semana.
