O Fundo das Nações Unidas para a infância (Unicef) alertou nesta segunda-feira, 18, que dois terços dos indicadores dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) de 2030, relacionados com os direitos e bem-estar das crianças, estão atrasados. A informação foi divulgada em relatório divulgado na véspera do debate anual da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira, 19, em Nova York. Nos itens relacionados a crianças, a análise, com mais de 20 anos de dados, mostra um cenário inconstante de progressos e retrocessos.
O documento Progressos no bem-estar das crianças indica a necessidade de aceleração histórica para cumprir os ODS e adverte que as agendas nacionais devem ter centralidade nas crianças. Para a Unicef, apenas 6% da população infantil tem contempladas 50% das metas dos indicadores.
“Se os progressos previstos se mantiverem, apenas 60 países terão alcançado suas metas em 2030, deixando para trás cerca de 1,9 bilhão de crianças em 140 países”, destaca o relatório. “Muito pode acontecer em sete anos, mas, para conseguir, os líderes mundiais têm de se tornar defensores das crianças e colocar os direitos infantis no centro de suas agendas políticas e orçamento nacionais”, ressalta a diretora executiva do Unicef, Catherine Russell
METAS
Em 2015, os critérios dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável foram adotados por países membros da Organização das Nações Unidas. O objetivo dos Estados-membro era erradicar a pobreza, reduzir as desigualdades e construir sociedades mais pacíficas. Os objetivos relacionados com a proteção, aprendizagem e uma vida sem pobreza, são os mais distantes de suas metas. A pandemia de covid-19 contribuiu diretamente para uma quebra histórica nos serviços de imunização e na aprendizagem, dificultando o avanço dos objetivos em países de baixo rendimento.
Para a diretora executiva do Unicef, Catherine Russell, o mundo está ficando sem tempo para transformar a promessa dos ODS em realidade e as consequências do não cumprimento dos objetivos serão medidos na vida das crianças e na sustentabilidade do planeta. O relatório aponta, ainda, que o desenvolvimento acelerado é possível quando se tem o compromisso nacional, políticas eficazes e financiamento adequado, como no Camboja, na Índia, no Marrocos, em Ruanda e Uganda.
