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Organização criminosa no Ceará é suspeita de financiar atos antidemocráticos do 8 de Janeiro

A Polícia Federal cumpriu no início desta semana mandados de busca e apreensão em 13 endereços no Ceará no âmbito da Operação Lesa Pátria. O foco das investigações recaiu sobre uma organização criminosa com origens no Ceará, suspeita de financiar e organizar atos antidemocráticos de 8 de janeiro deste ano. Além disso, a investigação observou o envio de mensagens de incentivo aos atos por parte de três parlamentares cearenses. Não foram reveladas as identidades e nem os cargos dos políticos em questão. 

O trabalho de investigação identificou grupos em redes sociais que se dedicavam à comunicação entre os manifestantes sobre os atos e à disseminação de notícias falsas com o intuito de instigar a participação em manifestações antidemocráticas. Também foi revelada a presença de financiadores, apoiadores e organizadores dos movimentos antidemocráticos nos grupos investigados, incluindo o fretamento de dois ônibus saindo de Fortaleza com destino a Brasília para a participação nos atos.

A investigação levou à quebra dos sigilos bancários e telemáticos de alguns suspeitos, bem como ao fornecimento de informações de bancos de dados e localização de empresas que tiveram serviços contratados pelos investigados. Entre os endereços onde ocorreram as ações, oito se localizavam na capital cearense, dois em Pacajus e Eusébio, um em Guaraciaba do Norte (Serra da Ibiapaba), outro em Paraipaba (Grande Fortaleza) e um em Sobral (Norte do Estado).

OPERAÇÃO

As investigações tiveram início em outubro de 2022, durante o período das eleições presidenciais no Brasil. Após a vitória do atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apoiadores do então presidente Jair Bolsonaro (PL) passaram a questionar os resultados eleitorais e promover manifestações em rodovias cearenses. À medida que o tempo passou, as investigações revelaram que os atos deixaram de ser pacíficos e adquiriram um caráter criminoso, culminando nos eventos ocorridos em 8 de janeiro deste ano. A partir de 6 de janeiro, conforme as investigações do MPCE, intensificaram-se as convocações para que os participantes comparecessem às manifestações.

Os mandados cumpridos no Ceará, resultado das apurações conduzidas pelo Ministério Público do Ceará (MPCE), Ministério Público Federal (MPF) e Polícia Civil (PC-CE), foram encaminhados para a Procuradoria-Geral da República (PGR), que protocolou os pedidos de busca e apreensão no Supremo Tribunal Federal (STF).

Os pedidos fazem parte de uma ação mais ampla, que incluiu um total de 275 mandados de busca e apreensão e 48 mandados de prisão executados pela PF em diversos estados do Brasil, incluindo Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Tocantins. As investigações que fundamentaram esses mandados foram conduzidas pelos Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPCE e do MPF, em colaboração com a Delegacia de Combate às Ações Criminosas Organizadas (Draco) da PC-CE.