O presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Agricultura Familiar, Pecuária e Pesca do Ceará, o deputado estadual De Assis Diniz (PT), vem mostrando preocupação com a manutenção da ovinocaprinocultura cearense. Para o parlamentar, é necessário entender a cadeia produtiva de forma sistêmica para “qualificar a produção” e alavancar a produção. A categoria reclama dos baixos valores agregados ao produto.
“Temos que agregar valor aos cortes nobres e finos. Enquanto a carcaça viva é vendida entre R$ 4,70 a R$ 5, ela chega nas gôndolas de supermercado com o carré a 70, 80 reais; com a maminha a R$ 90; picanha e filé a R$ 110, R$ 120″, explica De Assis, que já foi secretário do Desenvolvimento Agrário do Ceará.
O deputado lembra, ainda, que há subprodutos que também viram produtos nobres, como as vísceras, que dão origem a pratos como o miúdo e a buchada, por exemplo, vendida nos restaurantes com vinagrete e arroz, a 40, 60 reais, na avaliação do parlamentar. Situação semelhante acontece com o couro que, por sua vez, é largamente utilizado para a prática do artefato a um preço extraordinário.
“E existem ainda os produtores que têm condição de manter um plantel para produção leiteira. A peça do queijo de cabra de 250-300g tem um valor excepcional, sendo vendida a 80, 90 reais“, afirma.
PRODUÇÃO
No início de julho, o município de Tauá, na região dos Inhamuns, sediou uma audiência pública da Comissão de Agropecuária da Alece para discutir o fortalecimento da caprinovinocultura no Estado. Participaram produtores, técnicos, especialistas e demais interessados na atividade econômica das regiões dos Inhamuns, Sertão Central e Centro-Sul. Tauá tem uma das principais produções de carneiro do Estado.
“É necessário unir a política e a questão técnica para o desenvolvimento da caprinovinocultura. A Prefeitura de Tauá sempre busca tecnologias e estimula o setor que é fonte de geração de emprego e renda”, destacou a prefeita Patrícia Aguiar (PSD), na ocasião.
Durante a audiência pública, os produtores rurais expuseram as dificuldades enfrentadas pelo setor, principalmente com relação à certificação, o custo da energia elétrica e a necessidade de facilitar o acesso aos implementos agrícolas. Em junho, aconteceu na Alece um encontro semelhante, quando foram debatidas estratégias para o fortalecimento da caprinovinocultura, criação e manejo de cabras e ovelhas, no Ceará.
