Menu

Resposta ao bilhete 

Foto: Reprodução/Redes Sociais

Domingo cedo. O padre Júlio Lancellotti posta em seu Instagram a foto, provando o ato. Segue uma resposta ao bilhete para o padre, deixado na porta da igreja em que é pároco. Felizmente, o templo dispõe de câmera de monitoramento e o suspeito já foi identificado e se autodeclarou autor da ingrata cartinha. “Padreco de merda”, são as primeiras palavras. Já de início, nota-se falta de respeito com o ofício do sacerdote. 

“Pensa que aki é partido político”, além do erro de português (aqui não se escreve com k, erro proposital ou por desconhecimento da escrita mesmo? Não se pode esperar muito de quem tem muito ódio, intolerância e desrespeito para oferecer), onde seria o tal partido político? Na igreja? É certo que as igrejas que estão inseridas na sociedade têm determinada ação social e política. 

“Defensor dos direitos dos bandidos”, continua o senhor de 72 anos. Parece que ele é membro do time dos que dizem que bandido bom é bandido morto e tem uma ideia destorcida de direitos humanos, que são direitos para todos, inclusive para ele poder escrever o que escreveu, sair de casa, deixar na porta do templo, e agora, responder a investigação com direito de defesa. E, de fato, quando o padre defendeu bandido? 

“Petista vagabundo”, é a seguinte declaração das brutas linhas odiosas. Acaso o padre é filiado ao PT? Quando foi que se deu sua filiação? Qual seu papel no partido? Aqui, vê-se o reflexo do ódio reinante aos partidos de esquerda, reacendido nos últimos anos. Quer dizer que ter uma ação concreta junto aos abandonados, negligenciados, esquecidos pela sociedade e pelo Estado, é ser político e além disso ser petista? O autor idoso deveria prestar mais atenção no que pensa e escreve, porque isso pode ser um elogio. 

“Usa o povo pra te favorecer”. De que forma o sacerdote se utiliza das pessoas? Ajudando? Estando perto dos que nem casa nem comida tem? E qual o favorecimento? Permanecer como padre numa simples igreja de um bairro de classe média de São Paulo? “Seu dia de reinado aki vai acabar”. O padre Júlio é rei, tem um reinado lá? Se for, é um reinado sem poder institucional. Reinado de amor, acolhimento, respeito, reconhecimento da dignidade do próximo. “Pode esperar”, conclui, com o que soa como ameaça.