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Certificação fortalece criadores cearenses para comercialização de produtos de origem animal

Foto: Antonio Rodrigues

O Consórcio de Desenvolvimento da Região do Sertão Central Sul (Codessul), formado por oito municípios cearenses, deu um importante avanço para estimular ainda mais a criação de animais: a conquista do selo de Serviço de Inspeção Federal (SIF). A certificação assegura a qualidade dos produtos de origem animal comestíveis e não comestíveis destinados ao mercado interno e externo.

O Codessul é formado pelos municípios de Acopiara, Dep. Irapuan Pinheiro, Milhã, Mombaça, Pedra Branca, Piquet Carneiro, Senador Pompeu e Solonópole. Juntos, detém quase 10% de toda a cabeça de gado cearense, segundo os dados da última Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), chegando a 258.483 animais, em 2021. O estado alcançou, naquele ano, pouco mais de 2,6 milhões de unidades.

A potência destes municípios é latente. De 2017 a 2021, todos eles apareceram com crescimento na criação de bovinos, com destaque para Acopiara que alcançou mais de 65 mil cabeças. Já em caprinos, Pedra Branca lidera na região com pouco mais de 10 mil animais. Segundo a PPM, todas as oito cidades também cresceram na produção de leite no período, com destaque para Milhã que chegou a 30.510 (mil litros), há dois anos, enquanto Acopiara teve o incrível salto de 7.904 (mil litros), em 2017, para 27.819 (mil litros) em 2021.

Foto: Antonio Rodrigues

Apesar da grande produção, os criadores esbarraram nas dificuldades para comercializar fora das suas cidades e do Ceará. Aos poucos é que o Selo de Inspeção Municipal (SIM) foi adotado pelos municípios. Em Piquet Carneiro, por exemplo, foi regulamentado apenas em 2010. Esta certificação, no entanto, credencia para comercializar somente dentro daquele território. O SIF, conquistado pelo Consórcio, garante em âmbito nacional.

O prefeito de Piquet Carneiro e presidente do Consórcio, Bismarck Barros Bezerra, explica que a conquista se deu a partir do credenciamento do próprio Codessul, que teve sua equipe de técnicos e veterinários treinados e qualificados para avaliar os produtos de origem animal. “Com a certificação, o produtor já pode comercializar para todo o Brasil”, comemora. O gestor acredita que essa mudança vai facilitar a entrada de novas empresas, ampliar a produção e, com isso, gerar emprego e renda para sua região.

“Hoje, já viemos de uma grande produção de leite, queijo, doces, mel. Já tivemos um crescimento significativo e hoje há o fomento da compra de leite por empresas de laticínios, que dá um certo potencial para quem trabalha na área, sonha em criar seus animais”, completa o prefeito de Piquet Carneiro.

Em sua cidade, estima que a produção do leite chegue a 30 mil litros diários, que oferece um incremento anual na renda local de quase R$ 22 milhões, tendo o preço médio do litro a R$2. “É um produto que não cessa, a mão de obra é farta”, observa Bismarck. Ainda assim, o Município tem buscado parceria com Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Ceará (Sebrae) para qualificar os trabalhadores e incentivar, ainda mais, o setor.

CUIDADO

O veterinário do Codessul, Daniel Baia, explica que a certificação observa os critérios do Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (RIISPOA), que foi criado para garantir a segurança de alimentos, além de combater a fraude econômica. O regulamento engloba todos os tipos de carnes, entre bovina, suína e de aves, além de derivados, como leite e ovos, e outros produtos como mel e pescado.

Entre as várias medidas, os profissionais verificam as condições higiênico-sanitárias das instalações, dos equipamentos, da água e do funcionamento dos estabelecimentos; a prática de higiene os manipuladores de alimentos, os programas de autocontrole, a rotulagem e os processos tecnológicos em respeito à legislação específica e o bem-estar dos animais destinados ao abate. Também são feitas coletas de amostras para análises fiscais e avaliação dos resultados de análises físicas, microbiológicas, físico-químicas, de biologia molecular, histológicas, entre outras. “Mesmo assim, por ser mais próximo, oferece um caminho mais curto, uma ‘desburocratização’ aos criadores”, explica o veterinário.

Além do crescimento na produção, Daniel observa mudanças na forma de produzir na região do Sertão Sul. “É notória a evolução dos criadores. Vários que já incluíram a parte de inseminação artificial, já estão fazendo projeto de transferência de embrião. Então, mais produtores estão buscando o melhoramento genético para aumentar a produção e baixar o custo, que é o gargalo. Baixar o gasto para consequentemente o lucro aumentar”, finaliza.