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Consórcio Nordeste rebate governador de MG: ‘leitura preocupante do Brasil’

Governadores do Consórcio Nordeste. Foto: Wendel Palhares/Governo de Alagoas

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), anunciou a criação de uma frente que tem como objetivo gerar o “protagonismo” das regiões Sul e Sudeste e que colocaria em lados opostos os gestores estaduais do Norte e Nordeste. A declaração, feita em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo e que ganhou apoio de outros governadores do eixo Sul e Suldeste, gerou uma série de críticas de parlamentares regionais e uma nota pública do Consórcio Nordeste, que representa os interesses da região.

“O governador [Romeu Zema] demonstra uma leitura preocupante do Brasil. Ao defender o protagonismo do Sul e Sudeste, indica um movimento de tensionamento com o Norte e o Nordeste, sabidamente regiões que vem sendo penalizadas ao longo das últimas décadas dos projetos nacionais de desenvolvimento“, diz nota do Consórcio Nordeste.

“Já passou da hora do Brasil enxergar o Nordeste como uma região capaz de ser parte ativa do alavancamento do crescimento econômico do país e, assim, contribuir ativamente com a redução das desigualdades regionais, econômicas e sociais”, aponta.

A nota é assinada pelo presidente do Consórcio, o governador da Paraíba, João Azevêdo (PSB). Para ele, a união dos estados do Sul e Sudeste é válida e pode representar um avanço, mas que “só vai se dar na medida em que todos apostarmos num Brasil que combate suas desigualdades, respeita as diversidades, aposta na sustentabilidade e acredita no seu povo”, frisou. Ainda na nota, o governador da Paraíba pede a “união nacional em torno da reconstituição de áreas estratégicas para o nosso País”.

O governador Elmano de Freitas (PT) repostou a nota do Consórcio Nordeste na ferramenta stories do seu Instagram.

O posicionamento também foi repercutido por parlamentares cearenses. “A ideia de uma frente Sul-Sudeste fere o princípio federativo que sustenta nossa democracia e é contraproducente. Fica o alerta: quem deseja disputar eleições nos próximos anos precisa se concentrar em reunir a sociedade que ainda sofre com cisões. Jamais separá-la”, disse o deputado federal Domingos Filho (PSD) em sua conta no Twitter.

O deputado federal José Guimarães (PT), por sua vez, repudiou “qualquer tentativa de dividir o país”. “A fala do governador de Minas Gerais contra o Nordeste, representa seu preconceito e desconhecimento sobre nossa região. Não vamos aceitar xenofobia, muito menos de quem deveria dar o exemplo”, disse o parlamentar, que é líder do governo Lula (PT) na Câmara dos Deputados.

“O Brasil vai seguir unido, crescendo, gerando emprego e renda ao povo brasileiro. A prática de criar inimigos imaginários para dividir uma nação, É facista. Já dizia Jason Stanley em seu livro ‘Como Funciona o Fascismo: A política do Nós e Eles’. Foi exatamente dividindo o país, que Hitler fez parte de uma nação odiar os judeus, negros e homossexuais. Parte terrível da história que envergonha toda a humanidade. União e reconstrução, esse é o caminho de um país próspero, humano e solidário!”.

LEITE SAI EM DEFESA DE ZEMA

Após as declarações de Zema, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), saiu em defesa da frente. O tucano foi um dos líderes apontados pelo mineiro como potencial candidato à Presidência nas próximas eleições. Segundo ele, o grupo quer agir por mais equilíbrio na reforma tributária e não “discriminar” nenhuma região. “Nunca achamos que os Estados do Norte e Nordeste haviam se unido contra os demais estados. Ao contrário: a união deles em torno de pautas de seus interesses serviu de inspiração para que, finalmente, possamos fazer o mesmo, nos unirmos em torno do que é pauta comum e importante aos estados do Sul e Sudeste“, disse Leite ao Estadão.

O Consórcio Sul-Sudeste (Cossud) é presidido pelo governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD). Segundo o governador Romeu Zema, há uma articulação para abrir um escritório em Brasília para estar mais perto do Congresso.