O Ceará deve registra, apenas neste ano, 1.030 casos de câncer de colo do útero, conforme dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o que reforça a importância da prevenção contra a doença. Em nível nacional, segundo estimativa do Ministério da Saúde (MS), no período entre 2023 e 2025, 17.010 mil mulheres brasileiras serão diagnosticadas com tumor causado pelo Papilomavírus humano (HPV).
Facilmente transmitido na relação sexual, esse tipo de câncer é o terceiro mais comum entre as mulheres no País, perdendo apenas para o de mama, que é o mais comum, e o de cólon retal, que está em segundo lugar.
Causado pela infecção persistente de alguns tipos virais, principalmente os subtipos 16 e 18, do HPV, a doença costuma se manifestar a partir da faixa etária de 25 a 29 anos, aumentando o risco até atingir o pico na faixa etária de 50 a 60 anos. Segundo informações da Secretaria de Saúde do Ceará (Sesa), apesar de frequente, a infecção genital pelo vírus, na maioria das vezes, não causa a doença. Em alguns casos, ocorrem alterações celulares que podem evoluir para o câncer. Tais alterações são descobertas facilmente no exame preventivo – conhecido também como Papanicolau -, e são curáveis quase na totalidade dos casos.
Atualmente, os dois métodos mais eficazes de proteção são a vacinação contra o HPV e a realização dos exames preventivos capazes de detectar as lesões iniciais que podem evoluir ao câncer. Ambos os serviços são ofertados, gratuitamente, pelo SUS.
“Devido à sua alta incidência e mortalidade, o câncer do colo do útero é um importante problema de saúde pública, especialmente nos países em desenvolvimento. Embora tenha alta incidência, este câncer apresenta forte potencial de prevenção e cura quando diagnosticado precocemente, seja através da detecção precoce, vacinação e uso de preservativo e ações educativas”, pontua a Sesa.
De acordo com dados da Sesa, no estado do Ceará, entre 2010 a 2022, foram contabilizados 2.644 óbitos prematuros pela doença, sendo os anos de 2012, 2016 e 2020 os que apresentaram os comportamentos mais ascendentes. Ressalta-se, contudo, que entre 2016 a 2021, o risco de mortalidade prematura por essa neoplasia se manteve alto. Em 2020, o Estado somou o maior número de óbitos prematuros (252 mortes) e a maior taxa de mortalidade prematura, correspondendo a 11,4 óbitos prematuros por 100 mil habitantes de 30 a 69 anos do sexo feminino.
Em nível nacional, apenas em 2020, o câncer de colo do útero foi responsável por 6.627 mortes.
SINTOMAS E PREVENÇÃO
Por ser uma doença de desenvolvimento lento, o câncer do colo do útero pode não apresentar sintomas na fase inicial. Em casos mais avançados, podem ocorrer sangramento vaginal intermitente e, após a relação sexual, secreção vaginal anormal e dor abdominal associada a queixas urinárias ou intestinais. Desse modo, a melhor forma de garantir a detecção precoce é realizando exames preventivos, como o Papanicolau, mesmo sem a presença de sintomas.
As mulheres entre 25 e 35 anos devem fazer os exames preventivos e as pacientes que forem diagnosticadas com alterações devem receber o tratamento correto. Meninas e meninos entre 9 e 14 anos de idade devem receber a vacina quadrivalente contra o HPV, disponibilizada pelo Ministério da Saúde desde 2014, por meio do SUS. Para aumentar a imunização, o ideal é que a vacina seja tomada antes da primeira relação sexual. Além dos adolescentes, pessoas imunossuprimidas com até 45 anos também podem se vacinar na rede pública.
Vale lembrar que a rede pública oferece esses atendimentos de forma gratuita e para realizá-los a única recomendação é não ter relações sexuais, mesmo com camisinha, no dia anterior ao exame, assim como evitar o uso de duchas, medicamentos vaginais ou anticoncepcionais locais, nas 48 horas anteriores à sua realização. Além disso, é importante não estar menstruada, pois a presença de sangue pode alterar o resultado. Para as grávidas, o exame pode ser realizado sem risco ou prejuízo ao bebê ou para a gestação.
